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A POESIA LÍRICA DE ERNANDE BEZERRA

A POESIA LÍRICA DE ERNANDE BEZERRA

ALANA KARLA MONTEIRO GOMES

São Miguel dos Campos/ AL

Dez. /2005

ALANA KARLA MONTEIRO GOMES

A POESIA LÍRICA DE ERNANDE BEZERRA

Monografia apresentada à escola superior de São Miguel dos Campos ESMIC Fundação Universidade Estadual de Alagoas FUNESA, atual UNEAL, como requisito parcial para obtenção da titulação de Graduação do curso de Letras-Português Inglês, sob a orientação do professor mestre Márcio Ferreira da Silva.

 

                                                             FUNESA: FUDAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS,ATUAL UNEAL

FFPA: Faculdade de Formação dos Professores de Arapiraca

Curso de Letras

 

São Miguel dos Campos/AL

Dez. / 2005

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS – FUNESA, ATUAL UNEAL

ESCOLA SUPERIOR DE SÃO MIGUEL DOS CAMPOS – ESMIC

DEPARTAMENTO DE LETRAS – CAMPUS  IV

 

 

 

FICHA DE AVALIAÇÃO

A POESIA LÍRICA DE ERNANDE BEZERRA

 

 

Alana Karla Monteiro Gomes

Monografia apresentada à Banca Examinadora da Escola Superior de São Miguel dos Campos-ESMIC/FUNESA, Atual UNEAL, como requisito à obtenção do título de graduação em letras, habilitação Português/Inglês, sob a orientação do professor Márcio Ferreira da Silva.

 

Data da defesa: 11/ 12/ 2005

Nota atribuída: 10

Banca Examinadora:

Professor. Ms. Márcio Ferreira da Silva – Orientador – ESMIC/FUNESA, atual UNEAL

Professora. Ms. Vitória Régia Costa – ESMIC/FUNESA, atual UNEAL

Professora. Ms. Lírian Maria Dantas – ESMIC/FUNESA, atual UNEAL

RESUMO

    O objetivo desse trabalho é analisar a produção poética do escritor miguelense Ernande Bezerra de Moura, tomando como base teórica à relação nativista e bucólica observada pelo poeta. Para isso, evidenciaremos como o sentimento nativista do poeta Ernande Bezerra sucinta a poesia lírica, como nos diz Hegel[ 1980]. Assim o lirismo ernaniano marca a linguagem poética como fonte de inspiração e subjetividade.

AGRADECIMENTOS

    O que nos parece impossível pode acontecer. Deus, Tu és o foco principal da minha vida, obrigada pelo amor que tu tens por mim.

Aos meus pais pelo apoio e dedicação nos meus estudos, as minhas irmãs pelo amor dedicado e sobrinhos.

    A você meu esposo pela paciência nas minhas ausências.

    Ao poeta Ernande Bezerra pela preocupação em me mostrar dados de sua vida, és um verdadeiro poeta.

    E a você meu querido professor Ms. Márcio Ferreira da Silva, a tua presença nesse momento de conclusão do meu curso foi primordial, obrigada.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO -1

1 – Do poeta Ernande Bezerra e da poesia

1.1   – Ernande Bezerra: São Miguel dos Campos é a minha liberdade

1.2   – Lira poética e a poesia

1.3   – A poesia Moderna

  CAPÍTULO – 2

2         – Ernande Bezerra: panorama e poesia

2.1   – Panorama  da poesia alagoana

2.2    - A poesia lírica Ernaniana

Considerações Finais

Referência Bibliográfica

INTRODUÇÃO

    Sabe-se que existem diferenças entre poema e poesias, contudo, há particularidades que são peculiares de quem os escreve. As poesias possuem linguagens subjetivas em sua grande maioria, uma vez que são pouco extensas e mostram características e opiniões dos seus próprios autores. Já os poemas são pouco mais extensos, possuindo enredo e ações, e também não deixa de expressar o posicionamento do autor.

    Seguindo essa vertente, o presente trabalho se proporá analisar os poema VIDAS SECAS e DESPERTA NATUREZA MORTA do poeta alagoano Ernande Bezerra de Moura. São poemas fortes que buscam mostrar o sofrimento de um povo, retratando isso de forma clara e precisa. Investigaremos sua representação poética, forma, estilo e até mesmo a relação existente entre lugar e paisagem para o autor. Destacaremos ainda as questões bucólicas e nativistas inseridas no poema.

    Tomaremos como base Hegel[ 1999 ] com sua definição acerca do subjetivo captado interior e projetado no exterior, evidenciando Manuel Bandeira como extravasamento de sentimentos poéticos. Na verdade, ligaremos tais posicionamento ao estilo e obras de Ernande Bezerra. Tomar então o poema de Ernande é trazer à tona nossas raízes, nosso povo, nossa origem. É preciso se aprofundar em conhecimentos extras, conhecer e entender a identidade do autor, sua inspiração, para depois desenvolver uma visão crítica sobre o mesmo.

Com efeito, o poema propõe uma relação estética entre expressão poética e a questão

Bucólica. Cultura, ambiente, a vida rodeiam o poeta, intervindo em sua linguagem

Poética. O que  está ao seu redor serve de fonte inspiradora para a construção de suas obras. A poesia tem percorrido caminhos, tudo serve de fonte de inspiração; o verdadeiro poeta  percebe ao longe uma fonte para criar seu poema, para ele não existe um momento propício, criar faz parte do seu quotidiano, assim é a poesia nativista de Ernande Bezerra.

    No primeiro capítulo, apresentaremos um pouco da vida do poeta, a descoberta da poesia em sua vida, e sua fonte de inspiração.

    O tema do segundo capítulo versa sobre a poesia de Ernande Bezerra e a linguagem poética.

    Por fim, esse conjunto de características cria um clima ideal para que o leitor possa compreender e analisar a essência do pensamento do poeta, onde muitas vezes, ele demonstra através de poucas linhas a realidade cotidiana dos fatos. Tendo tais procedimentos como base, chegaremos a possíveis questionamentos, onde buscaremos conclusões ou posicionamentos  diante do  que foi exposto pelo autor.

CAPÍTULO – 1

1 – Do poeta Ernande Bezerra e da poesia

1.1   – Ernande Bezerra: São Miguel dos Campos é minha liberdade

    Um homem com mais de 1m e 80 sai da Casa da Cultura e sobe a rua Visconde de Sinimbu em direção a Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó, em São Miguel dos Campos. Passos largos, olhar atento, esse homem sabe que tudo a sua volta tem importância peculiar. O lugar onde pisa já fora habitado por ancestrais indígenas da linhagem dos Caetés, os mesmos que devoraram simbolicamente o Bispo Sardinha. Ele sabe também que o chão onde pisa já fora cenário de guerras e conquistas, como na tentativa à República guerreada por Ana Lins. O chão é um lugar de muitos dizeres. O chão encobre e se reveste da nossa própria história. E aquele homem que anda pelas ruas de São Miguel dos Campos é conhecedor da história que o circunda, como também reconhece que sua voz é hoje presente na maior expressão de subjetividade já produzida pelo homem: a poesia.

    Esse homem de pouca permanência na escola, porque a infância legou ao trabalho, faz produzir ao observador mais desavisado uma imagem equivocada do poeta, embora um olhar mais atento para as nuances possa detectar um símbolo de poeticidade no caminhar de Ernande Bezerra pelas ruas e a relação amorosa com a cidade de São Miguel dos Campos, como quando diz que “ São Miguel dos Campos é minha liberdade “.

    Quem encontra Ernande Bezerra andando nas ruas enladeiradas de São Miguel dos Campos não pode imaginar o tamanho grau de observação que esse poeta miguelense aguça da realidade. Essa realidade observada pode ser entendida para muitos com simplória ou sem traços mais aguçados da linguagem. No entanto, um mergulho mais profundo na linguagem poética que Ernande Bezerra não mede esforços de produzir diariamente é capaz de instigar o senso crítico e ardente percepção poética trilhada pelo poeta.

    Dizer que o poeta Ernande Bezerra é uma pessoa simples, regional e local, é extremamente pouco para um homem que vive do exercício da palavra poética. Ernande Bezerra é dono da linguagem poética que o faz dizer “ sou poeta “. Isso não está eventualmente nos inúmeros poemas publicados em Antologias e REVISTAS do Pais, mas está na doce composição do mundo ernaniano que se apresenta mergulhado entre universo nativista e o universo bucólico, evocado na observação do povo e paisagem miguelenses.

    Ernande Bezerra é um poeta da terra dos Caetés, que desabafa as alegrias, mágoas e amores através da poesia. Ernande Bezerra nasceu em 16 de abril de 1958, na cidade de São Miguel dos Campos, estado de Alagoas, descobriu a poesia aos doze anos de idade no grêmio escolar. O poeta tem como poesia um sentimento que vem através da inspiração, de dentro da alma, é um verdadeiro desabafo, uma forma de passar para pessoas a vida do seu lugar e da sua gente, sem perder o valor estético literário na composição poética. O poema “ Vidas Secas “, por exemplo, foi inspirado na obra “ Vidas Secas “ de Graciliano Ramos.

    Quando enveredou para o campo das letras, o poeta miguelense participou de vários concursos literários, alguns dos quais levou o primeiro lugar. Citamos abaixo a participação do poeta Ernande Bezerra nos diversos concursos literários. II Concurso Nacional da Literatura Brasileira “ Prêmio Osvaldo de Carvalho “ em 1999; Primeiro Concurso Literário das Américas “ Destaque Ouro “ em 2000. É autor da letra do hino do município de Jequiá da Praia/AL, e ainda várias obras publicadas em Coletâneas Brasileiras. O mesmo é autor do livro sobre a história de São Miguel dos Campos intitulado de “ Fatos Históricos de Minha Terra “ e, é membro da Academia Maceioense de Letras .

1.2   – A LIRA POÉTICA E A POESIA

    O conceito de poesia vai muito além de palavras e definições formadas. Há na poesia categorias que devemos destacar e a lira poética está inserida nesse contexto.

    A poesia lírica está ligada às emoções, sentimentos, paixões, é a subjetividade sendo expressa através de palavras. E a partir da imaginação, o que tem de mais profundo, que o autor dará a poesia à essência lírica que necessita. O lirismo partirá do partícula, ou seja, será formatada através da individualidade de cada poeta, podendo esse deixar que o meio externo interfira  ou não na composição da poesia. Caso haja essa interferência, o autor será capaz de apropriar-se de crenças, questões sociais, relações humanas, religião, procurando agir no que há de mais intimo na representação escolhida.

    Há na obra lírica a relação com imagem, os sentimentos da alma, ilusões e desejos são projetados através da mesma. A imagem dá-se, aparece, surge com a imaginação e os sentimentos da alma. O particular subjectivo do autor projeta-se no exterior e dá-se a desenvolver até quando desejar.Hegel [ 1980, p. 224 ]nos ensina que,

Horácio, por exemplo, suspende uma descrição no momento em que a deveria ter começado [... ] Uma festa descreverá apenas os seus sentimentos, ordens e preparativos, sem nada nos dizer acerca do resultado ou êxito da mesma.

 

   A poesia lírica pode aproximar-se um pouco da épica quando se fala de exterioridade, pois essa é o foco da poesia épica. Por muitas vezes o autor usa da imagem exterior a fim de formar a imagem que se quer.

    A lira poética está no coração, na alma do autor, esse por sua vez precisa abstrair-se de qualquer conceito já formado e permitir que a essência lírica penetre em sua natureza poética, deixar que sua própria sensibilidade seja manifestada, é permitir que o interior aflore através de sua obra.

    O termo lírico vem da Grécia que significa lira[instrumento musical], naquela época era costume tocá-la para acompanhamento de poemas declamados. Mas é o extravasamento da alma de cada autor que é o ponto principal do poema lírico, quando Manuel Bandeira diz [1966]

 

 

Andorinha lá fora está dizendo

Passei o dia à toa, à toa!

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa.

 

    Percebemos no fragmento do poema acima, toda uma emoção, é a alma do autor que fala, como um verdadeiro desabafo, sua frustração sendo exposta a partir desse texto. A subjetividade está ligada às emoções da personalidade, por isso diz-se que a lírica é intima dos sentimentos da alma, justificando que a poesia tem sua mensagem centrada nas emoções. Há aqueles que são formados a partir de algo mais cientifico e até racional, mas o verdadeiro poema, o que realmente desnorteia o homem é aquele que desnuda o mais profundo dos seus sentimentos.

    A poesia é verdadeiramente formada por um sonhador, alucinado por idéias e paixões; é alguém que deixa entrar em sua mente a mais pura ilusão, dando com esta, o sentido, a resposta a sua obra.

    A realidade objetiva pode se tornar poética desde que interiorizada e transformada pelo o eu-lírico, este por sua vez tem a missão de moldar esta linguagem. Destacamos ainda no gênero lírico sua musicalidade, os efeitos simbólicos das palavras necessariamente aparecem em suas obras. Os poemas líricos quase sempre são bem descritivos, detalhando através das palavras toda a emoção do eu-lírico.

    A poesia lírica moderna afastou-se dos padrões clássicos afim de uma nova reformulação, com mais coerência e transparência.  Como podemos ver nos primeiros poemas de Oswald e Mário de Andrade. A suposta falta de cadência poética ganha forma nas imagens captadas e fragmentadas  da realidade.

    Podemos observar também na narrativa essa captação das imagens poéticas. O romance Vidas Secas de Graciliano Ramos, expõe todo sentimento de angústia e clareza ao afirmar a dor de um povo, deixando, portanto, que esta interfira em seus sentimentos. O  poeta Ernande Bezerra mostra em sua obra a face de um poeta moderno, que nos traz uma estética compartilhada com questão sócio-cultural, refletida na poesia e sendo difundida com que é a característica principal da lírica: imagens subjetivas captadas de sentimentalidade.

1.3   – A POESIA MODERNA

    Temos como poesia moderna, via de regra, aquela que foge de toda e qualquer norma estabelecida, onde toda a estética de uma obra é definida por quem as escreve. Essa liberdade de expressão teve início em 1922 com a quebra de normas anteriores.

    O modernismo veio a fim de tomar uma originalidade em seus temas, primaram-se naquela época a liberdade de expressão com seus versos livres. O primeiro momento foi em 1922, onde houve a quebra com moldes anteriores, o segundo foi de 1930 a 1945 com a retomada da questão sócio-cultural do homem; e por último o terceiro momento foi a partir de 1945, quando passaram a se preocupar mais com a estética do poema.

    O movimento propagou-se por áreas distintas, onde a principio a paisagem e ambiente, foram assuntos abordados pelos poetas.

    Para tomarmos  nossos corpus como ponto de observação  poética, acreditamos ser importante reconhecer na poesia moderna uma forma estética capaz de influenciar o poeta miguelense. Para Ernande Bezerra, a poesia é a rua, as igrejas, o povo de São Miguel dos Campos. Por isso as imagens poéticas captadas nos poemas de Ernande traduzem a subjetividade local para a introspecção de paisagens bucólicas nacionalistas.

    Essa categoria bucólica não ratifica a poesia de Ernande Bezerra, mas o coloca no cenário de uma produção moderna já espelhada por Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes e Jorge de Lima.

    A poesia passou por modificação convencionais, os poetas já fatigados de escolas e ideologias resolvem estabelecer seus próprios meios, recursos e técnicas. Aonde veio surgir o verso branco, sem rima ou metrificação imposta, precisa.

Estava um frio medonho, as goteiras pingavam lá fora, o vento sacudia os ramos das catingueiras, e o barulho do rio era como um trovão distante.

 

    Novos temas tomam lugar na poesia do poeta moderno, não só temas brasileiros, mas a linguagem coloquial também tem seu espaço na poesia, como vemos no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos [ 2000, p. 63 ]:

    Essa quebra de linguagem com os padrões clássicos deu à poesia ernandina mais clareza e coerência, pois o processo de destroncamento produzido pela poesia moderna reflete em um dos seus pontos:a linguagem poética desencadeada na forma da intertextualidade, em que o poeta Ernande Bezerra transmite isso quando apresenta seu poema “ Vidas Secas “[ 2004, p. 61 ]

Vi com meus próprios olhos

A angústia desse povo,

Vi a olho nu, a crise desse lugar

E doeu no coração conhecer

A vida desses guerreiros.

A cada légua que andei,

Vi no chão um animal...

 

  O eu-lírico no fragmento acima expõe subjetividade quando se apropria  da descrição, o lirismo constrói a cena e o eu-lírico sente a dor de um povo, e acaba por expressar todo um sentimento em primeira pessoa, típico do lirismo imposto pela relação subjetiva e apropriação da imagem poética. As palavras surgem com tom descritivo,  Vi com meus próprios olhos “, e

Coesas, cheias de sentimentos doloridos expressos pelo “eu “particular dor, indignação. O eu- lírico demonstra em suas palavras o mesmo que os poetas modernos sentiram, ou seja, a necessidade de dar à poesia o lirismo que é objeto de observação e de captação da imagem poética, como fez Cecília Meireles e Vinícius de Moraes.

    A forma poética do poeta moderno está na composição da imagem e na representação, por isso será por meio dessa imagem distorcida do real que o autor Ernande Bezerra demonstrará a força poética de sua escritura.

    No tempo em que a poesia era tida como hermética, o  moderno veio a fim de facilitar, dar uma luz ao que era escuro e por muitos incompreendido. O poema e a pintura foram uma das armas utilizadas para certa liberdade contida entre os “ meios de comunicações “, incluindo neste a poesia. Essa restauração de uma nova realidade vem dentro da nossa literatura mostrar nossos defeitos e virtudes acerca do nosso País.

    Benjamin Abdala Junior [1995, p. 63] diz que o poeta Raimundo Correia, que não conseguiu acompanhar o modernismo como movimento libertário, exclama sem medo algum sua posição sobre o que para ele era uma vitória:

Como invejo tal libertação, eu, devastado completamente pelos prejuízos dessa escola a que chamam “ Parnasiana “, cujos produtos aleijados e raquíticos apresentam todos os sintomas da decadência... Eu sou talvez um das vítimas desse mal que vai grassando entre nós.

 

 Cada poeta age isoladamente. Em todos os cantos do país poetas atribuíram às obras uma  nova construção. Os  velhos  moldes  davam lugar há um amadurecimento e nova forma no espírito dos escritores daquela época. A busca pela liberdade de pesquisa estética era nacional tendo como dos primeiros adeptos Menotti Del Picchia, Oswald e Mário de Andrade. São Paulo foi  à primeira cidade a assumir a liderança de tais grupos renovadores.

CAPÍTULO – 2

2         – ERNANDE BEZERRA : PANORAMA E POESIA

2.1   – PANORAMA DA POESIA ALAGOANA

    A  produção da poesia alagoana contemporânea se filia à área “restrita”, devido à desvalorização dada à produção poética. Lêdo Ivo [2004], por exemplo, diz que em décadas passadas o poeta não era apenas valorizado, mas louvado. Tal referência se filia ao recurso à palavra dado ao poeta, que é capaz de lapidar a palavra e dá-lhe um sentido outro, desdobrado, inovador, como diz Vinícius de Moraes “Ah, quem me dera ter-te/Morar-te até morrer-te”.

    Q poeta é um manipulado de palavra. A ferramenta palavra é seu material de trabalho. Um bom poeta é capaz de arar, capinar, semear e colher diversos outros sentidos para a palavra.

    Valorizada ou não, a poesia sobrevive e sempre irá sobreviver, porque o dizer poético é a forma de dizer aquilo que o homem sente e pensa. A poesia vive em todos os lugares. No rio, na rua, no outro, na fome, na despedida, enfim, em todos os momentos e lugares. O poeta é aquele que consegue traduzir poeticamente os diversos dizeres poéticos que são captados por todos os outros “mortais”.

    Há, portanto, uma necessidade de escrever poesia. A subjetividade poética é capaz de existir mesmo na contemporaneidade, vista como um período de insensibilidade. Mesmo assim os poetas são guardiões de um sentimento secular que canta as diversas formas de Amar, Viver, Sonhar e/ou morrer. Somos mais poetas quando encontramos subjetividade nos encontros mais inusitados, como em um poema de Carlos Drummond de Andrade: ‘Stop/a vida parou/ou foi o automóvel”.

Se  a poesia está tão viva quanto está o momento crítico que a faz existir então o ato poético é sempre alicerçado pela universalidade, ou seja, quem diz os amores e desamores de seu lugar está, ao mesmo tempo, dizendo todos os amores e desamores do mundo. Esse aspecto universal evidencia o instante entre o passado e o presente, ponto de equilíbrio que compõe os estratos poético.

    Na poesia alagoana contemporânea, Jorge de Lima tem uma representação destacada. A poesia de Jorge de Lima não só é sólida, mas universal. Cânticos métricos ou clamores de repulsa ao capitalismo, Jorge de Lima cumpre a composição do quadro de seu lugar, dando valor estético à palavra e decompondo a linguagem.  Paralelamente a Jorge de Lima, outros poetas alagoanos destacam-se como por Agnelo Rodrigues de Melo, Félix Lima Júnior, Carlos Paurílio, Amarílio Santos, João Soares Palmeira, Astério Machado de Melo, José da Costa Aguiar e Hildebrando Oséas Gomes.

    Alagoas tem uma formação literária decisiva no cenário brasileiro. Isso se deve ao fato de que muitos intelectuais, notadamente a burguesia alagoana, mantinha contato com os acontecimentos de São Paulo e da capital federal, o Rio de Janeiro. Por isso, há de convir que a tradição oligarca e hegemônica mantida pelas famílias alagoanas têm estreito interesse em reconhecer as novidades vindas da Europa, por exemplo. Mas se reconhece que alguns intelectuais da época travaram conhecimento como o Futurismo, como pode ser observado na fundação da Academia dos Dez Unidos, composta, na primeira reunião, por Agnelo Rodrigues de Melo, Félix Lima Júnior, Carlos Paurílio, Amarílio Santos, João Soares Palmeira, Astério Machado de Melo, José da costa Aguiar e Hildebrando Oséas Gomes. No entanto, segundo Sant`Ana [1980, p.19], “ apenas dois, Carlos Paurílio e Da Costa Aguiar, {...} chegaram a abraçar realmente o Modernismo “. Os Dez Unidos formaram a primeira tentativa de consolidar a produção literária em Alagoas. Deu-se o ponta-pé inicial. Na verdade, não havia uma linha definida a não ser aquelas que são mantidas por um regimento ou estatuto. No entanto, a Academia deu ótimas contribuições no que se refere à produção impressa em terras alagoanas. Intelectuais escreveram em matutinos como o Jornal de Alagoas  e o Diário da Manhã, incentivaram e participaram com artigos de revistas como Careta, com sonetos humorísticos inicialmente divulgados através do período humorístico O Bacurau [ Sant´ana, 1980 ].

    A Academia dos Dez Unidos não sobrevive até metade da década de 20. Vários motivos são marcados para o desenlace dos Dez Unidos. Um deles é o fato de que muitos escritores deixaram a província e foram à Capital Federal para estudar ou para trabalhar. Mas a cidade não fica de vez sem grupo que a defina. Surge, então, a Academia “Guimarães Passos” que inicialmente suscita a necessidade de uma semana de arte em Alagoas. Sant´ana [1980, p.27] nos diz que “ foi ao fazer o aludido elogio de Ciridião Durval, que Mendonça Júnior propôs a realização de Semana da Arte Moderna, em Alagoas, nos moldes da realizada em São Paulo, em fevereiro de 1922 “. A idéia foi prontamente aderida pela maioria, mas pelo menos quatros jovens , Carlos Paurílio, Mário Brandão, Valdemar Cavalcante e o pintor Lourenço Peixoto, então pertencentes à Academia dos Dez Unidos e ao Cenáculo Alagoano de Letras, fizeram com que muita gente presumisse que “ a Feira da Arte Nova, a nossa “Semana de Arte Moderna de um dia só”, teria sido promovida por aquela agremiação literária “ [ Op. Cit, 28 ]. Na verdade, tanto a Academia Alagoana de Letras como o Cenáculo Alagoano de Letras pediram retificação de notícia veiculada em O Semeador.

    Nota-se no convite que os organizadores tiveram uma preocupação com o formato delosango, segundo Sant`Ana[1980, p. 29], há nessa atitude uma “influência dos vanguardistas de São Paulo”. Isso nos faz lembrar que a presença da Festa da Arte Nova em Alagoas ocorreu sete anos depois da Semana de Arte Moderna em São Paulo. Não verdade, nossa festa não chega a ser um acontecimento literário de interferência imediata na vida dos artistas e intelectuais da época. Afinal a Festa da Arte Nova não cumpriu o programa prometido, mas efetivamente imprimiu os ideais modernistas em Alagoas.

    Os  reflexos da  Semana de 22 em São Paulo são visíveis  durante toda década de 20. A imprensa alagoana produz artigos sobre o acontecimento e intelectuais escrevem sobre pintura, escultura e literatura. Há, na maioria dos artigos escritos em Alagoas, a convicção de que os ideais modernistas querem mesmo um corte com as construções formais do parnasianismo. “A Festa da Arte Nova é um Zé-Pereira canalha para dar uma vaia definitiva nos deuses do Parnaso...”, dizia Mendonça Júnior no dia da Festa. Na verdade, o humor é uma tendência modernista, daí estão a origem do poema-piada, da gritaria, da algazarra, de, antes de tudo, fazer escândalo. Era preciso revolucionar  a arte. A arte precisa dizer algo além de palavras presas em estruturas formais e em teias traiçoeiras. Assim, a festa teve seu dia colorido, porque os jovens poetas atreveram-se a quebrar o purismo à palavra e à construção poética. Para  os modernistas alagoanos, é hora de dar vida e existência à arte. “Queremos a Arte cheia de nervos. De traços elétricos e tintas ululantes...[a ousadia das linhas e das nuanças] “ [Cavalcante 1928, p. 1]. A necessidade de uma nova condição literária estava presente em todas as coisas, em todas formas, para decodificá-las era preciso entender que o mundo não suportava a atmosfera esquálida das escritas ritmados e metrificados. A liberdade de criação vem para os modernistas aliar-se ao desejo de transformação.

    As décadas seguintes a Semana de Arte Moderna de São Paulo, e A Festa da Arte Nova, em Alagoas, evidenciou o surgimento de bons poetas alagoanos como, por exemplo Lêdo Ivo, único representante alagoano na Academia Brasileira de Letras. Hoje não pensamos em poesia sem destacar nomes como o de Arriéte Vilela, José Geraldo Marques, Jaime de Altaville, Vera Romariz, Otávio Cabral, Maurício de Macedo e outros.

2.2   – POESIA ERNANIANA

    Toda obra poética tem características próprias de quem as escreve. Não é, pois, diferente com as obras dos poetas alagoanos.

    Jorge de Lima trata sem medo, mas meio que discreto, sobre a escravidão em “Essa Negra Fulô”, poema que fez parte da primeira fase do modernismo.

Vejamos por exemplo o poema “Vidas Secas” de Ernande Bezerra

VIDAS SECAS

Vi com meus próprios olhos

A angústia desse povo,

Vi a olho nu, a crise desse lugar

E doeu no coração conhecer

A vida desses guerreiros.

A cada légua que andei,

Vi no chão um animal;

No alto da colina

Urubus me rodeavam,

Em cada caminho que percorria

Sentia poeira em meus olhos.

 

 

A cada corpo sofrido

Via chegando seus dias.

Por onde eu seguia

Via um sertanejo com sede,

A cada passo que eu dava

Na porta, via uma criança com fome.

A cada dia que surgia

Mais sofrimento aparecia

Não suportei mais a dor!

Meu coração também morria...

 

    O poema citado acima gera em nós uma reflexão sobre o mundo, sobre as questões sociais, e focando essa vertente nos poemas da época moderna, percebemos que hoje há uma facilidade em se falar sobre tais questionamentos. Há uma interferência de ambiente nas poesias ernanianas, o lugar, paisagem serve de inspiração para o poeta, mas as construções poéticas dos poemas de Ernande não estão inseridas apenas no que se pode ver, ele permite que a emoção flua na composição da sua obra.

    A poesia para Ernande Bezerra é uma forma de expressão marcada principalmente por temas sociais, cujos elementos simbólicos abordam a imagem observada través de sintomas introspectivos. Nesse sentido, o poeta coloca toda sua imaginação, sonhos, sua inspiração, segundo Kury [2001, p. 610], todo momento de criação “desperta o sentimento do belo”. Os poemas de Ernande são compostos de versos livres, inovação modernista, com versos imprevisíveis. Há muito que interpreta em seus poemas, mas a vertente que se torna primordial é a essência, a fonte que inspirou o poeta na construção da sua obra.

    Marcado pela presença de um eu-lírico, o poema “Vidas Secas” retrata a vida de um povo sofrido, quando diz que “Na porta, via uma criança com fome”. Ele fala sobre a vida sofrida do sertanejo; relata procurando viver, como se pudesse acompanhar passo a passo sobre a região do sertão. O lado bucólico  é marcado pela fuga ao campo, quando diz “No alto da colina”; logo pode se perceber a questão do ambiente que serviu como inspiração para o autor.

O poema “Vidas Secas” é um poema que transgride a alma do poeta que sofre com as injustiças de uma classe sofrida. O poema reflete a voz de muitos, que talvez com menos intensidade gostaria de expressar sua dor, seu sofrimento; é o espelho de uma realidade presente, de uma felicidade ausente, de uma vida descontente.

Hegel [1980, p. 232 ] explica a atitude do poeta Ernande Bezerra, ao sentir o que podia apenas ver, da seguinte forma:

O poeta que então só escutar a voz da razão, não utilizará certamente a  sua inspiração para compor hinos ou para se apresentar como cantor em circunstâncias ou ocasiões criadas por outros, mas, haurindo os temas somente no fundo mais íntimo da sua alma, far-se-à  poeta dos ideais da vida, da beleza, dos direitos e .pensamentos imperecíveis da humanidade.

 

 Ernande consegue levar para seus versos o objetivo expresso no subjetivo, a interiorização lírica faz parte dos seus poemas. Ao analisar um poema não nos cabe apenas verificar o ritmo, sua metrificação; mas sim ao ser contexto sociocultural, onde foi focada sua inspiração, que por sua vez é associada há um conjunto de valores, há um modo de vida.

Destacamos ainda a musicalidade do poema, que aparece de maneira sutil. Durante toda a sua trajetória é sentida a pulsação do autor a cada passo que dava, um som triste e reflexivo. A palavra chave do poema é “Vi” refletida na pessoa do eu-lírico.

    O ritmo nos poemas e comparado ao estilo de vida em que as pessoas levavam. No século passado, antes, simétrico e regular, igual às vidas padronizadas das pessoas daquela época. Hoje são mais imprevisíveis, livres de padrões ou normas. O poema de Ernande é assim, libertário, com o poder de esmiuçar desde questões sociais até os mais verdadeiros sentimentos da alma. Poema é uma viagem, é um regresso a um lugar que se foi, é um desabafo, o verdadeiro poema tem o poder de transformar o mundo, de libertar o interior do outro a até de si mesmo.

Vejamos em “Desperta,  Natureza Morta” de Ernande Bezerra:

DESPERTA, NATUREZA MORTA

Desperta, natureza morta,

Grita por liberdade!

Já chega de tanto choro e solidão.

Você é o futuro de nossa terra

Ainda és a esperança, o pão, a vida,

O alimento sagrado dessa nação.

Voa ao sistema multicor

Por que não merece esse castigo,

Implora para o pai e peça a Ele

Um tom na cor, uma nova roupagem.

Só assim, vestida de criança

É que poderei ter esperança

De rever o teu amor.

Aqui, eu ficarei te esperando,

E com certeza voltarás sorridente

Com o poder da vida renovador,

Para que eu possa sentir, outra vez!

Os teus cabelos soltos,

O seu aroma saudável,

O seu sabor gostoso

Por resto da minha vida.

 

 Em “Desperta, Natureza Morta”, percebemos em seu título a preferência, mais uma vez no lado bucólico da cidade de São Miguel que serve de inspiração para o poeta. A preocupação do autor quanto ao desmatamento, as queimadas é perceptível, ele declara o sofrimento  da terra, da vida que nela há, no sofrimento da humanidade que dela precisa, o autor clama pela vida, por mais vida. Com esse desabafo Ernande, novamente, entra através do seu poema nas questões sociais, não omitir as dificuldades, pelo contrário, ostentar conhecimento em tal área e usar com sabedoria a busca de solução para questões como fome, miséria, preconceito e sofrimento como num todo.

Quando o poeta diz “Desperta, Natureza Morta/ Grita Por Liberdade!/ Já Chega De Tanto Choro e Solidão.”. Expressa tudo que foi comentado no texto acima; o acordar e reconhecer que algo precisa mudar, e que essa mudança precisa de um grito, de uma manifestação.

    Mas não é apenas o lado bucólico que destacamos em “Desperta, Natureza Morta” as obras ernanianas são formas declarativa de liberdade e desabafo diante das dificuldades sociais e culturais de um povo. Ele aponta para uma realidade que é presente em nossa sociedade, o povo precisa acordar para as dificuldades, e é isso que o poeta tenta refletir através do seu poema.

Os poemas de Ernande.não se conceituam como simples formas literárias, mas é um lugar de encontro entre o homem e a obra.

    É perceptível à lira poética inserida nas obras de Ernande Bezerra, ele mostra a verdadeira face de um poeta lírico. Todo caráter, emoção, sentimento do autor vem à tona através de suas obras, quando diz que “Para Que Eu Possa Sentir, Outra Vez!”. O eu-lírico verdadeiramente na pele, e reflete isso tanto em “Desperta, Natureza Morta” bem como em “Vidas Secas”.

    Contudo, cabe a nós desvendar através dos versos , rimas, representações gráficas e expressivas a essência de cada obra. Há muito que se conhecer através de um poema, a alma de cada poeta uni-se a magia da sua imaginação, do seu devaneio; aflorando assim, na sua obra, sua criação poética.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Diante da constante busca por mais conhecimentos literários, faz-se necessário o desenvolvimento da análise de obras poéticas pouca conhecidas em nosso estado> Vemos a necessidade de conhecer e aprender a analisar poemas, principalmente quando se trata de um poeta da nossa região, por isso a escolha do mesmo.

    Vidas Secas e Desperta, Natureza Morta é o retrato de muitos, e o autor traz para nós um questionamento que por vezes é abafado. As obras ernanianas são assim, espelho da vida e alma de muitos que gostariam de por um momento não calar, mas expressar sua dor e paixões.

    Procuramos aqui passar um pouco da vida e obra de um poeta, que se não bastasse suas desilusões tenta trazer à tona os desamores dos que com ele compartilham um pouco da sua história. As influências modernas, líricas, sócio-culturais são refletidas nos poemas deste alagoano de muitas ilusões. Foi gratificante descobrir a identidade do autor, que prima por  suas raízes e sem medo de errar põe em suas obras o retrato de uma vida que tem muito para melhorar. Este foi apenas o começo de uma analise que poderemos fazer acerca dos poetas da nossa terra, há muito que ser explorado e analisado.

    Com esta análise descobrimos que o poeta Ernande Bezerra busca seu interior, os sentimentos da alma, e a lírica poética insere isso em seu contexto, o poeta Ernande é um poeta lírico, ele prima por suas imaginações e sentimentos, se permite entrar verdadeiramente na essência das suas obras.

    Todo poeta é dono dos seus próprios devaneios, cabe a nós estudiosos da arte, permitir que obras como essas interfiram em nossas vidas, fazendo que as nossas ilusões e imaginações fluam e nos façam devanear.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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Ernande Bezerra
Escrito por:
Ernande Bezerra
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Publicado em 20 de Janeiro de 2013

Atualizado em 20 de Janeiro de 2013

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