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Serra da Barriga, União dos Palmares (AL) - 2013

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Em 20 de novembro de 2013, fui à Serra da Barriga, em União dos Palmares, para encarar a bela caminhada, a árdua subida até o Quilombo dos Palmares. No começo da caminhada encontrei Mães de Santo que me desejaram muito AXÉ em toda subida. Me alegrei e caminhei. Certo tempo cansei, parei, respirei fundo. O coração estava mais rápido que tudo; não o sentia bater no peito esquerdo, mas no corpo todo. Duas horas de subida com algumas paradas e tomadas de água para não desidratar. Cheguei no meu destino e me deparo com pessoas negras de branco e pessoas brancas de branco; cada um com o colar de uma cor: amarelo, branco, azul, verde, vermelho. Cada um com seu jeito bom de acolher. Conversei com muitos que juntos sorrimos e nos abraçamos e, como costume, beijos nas bochechas. Observei cada traço e fala dos que entrevistei. Vi os capoeiristas se apresentarem em rodas diferentes. Me aproximei para olhar com mais clareza Pais e Mães de Santo dançarem em louvor ao Orixás. Lembro de alguns como Oxum, Xangô e de modo especial Iansã assim que gritaram "Eparrei Oyá". Belas coreografias que mesmo sem saber tentei dançar. Depois acompanhei um pouco do cortejo que levava coroa de flores a imagem de Zumbi. Houve homenagem da polícia com salva de tiros. Encontrei amigos. Olhei as apresentações de Roda de Coco. Quando cheguei no final da apresentação do Afoxé, já tendo visto como se dança, dancei também. Preconceito não tenho nem tive como ter, pois de imediato me encantei com tudo. E dessa experiência ainda guardo comigo a fala de um senhor do Rio de Janeiro na qual entrevistei também: "O conhecimento é o poder!". Observei, me informei, escrevi, cantei, aplaudi, gritei "Eparrei", conversei com uma árvore, me fiz feliz, me sinto feliz por antes de sentir restaurado pelo lugar que mesmo árduo na sua trajetória, vale muito apena quando alcançado. Experiência fenomenal e a religião Candomblé encanta. Confesso que realmente vivi a essência da frase Consciência Negra, pois percebi que a festa na Serra da Barriga não é específica para os de pele negra, e, sim, para todos da nossa nação afro brasileira, pois somos mestiços (temos um pouco de cada), somos juntos, nós somos negros, somos índios e somos brancos e é preciso ter consciência disso ou pelo contrário reina a insanidade. Sou o que sou. Respeito tudo e todos. 


Clemerson Luís Silva
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Publicado em 22 de Novembro de 2013

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