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Revista Oficina Azimute

• Atualizado

ENTREVISTA

Entrevistador: Carlos Emanuel da Silva Varela

Entrevistada: Juliana Cristina da Silva

 

Noite quente do dia 12 de janeiro de 2015. Segunda-feira. O meu relógio marca 22h40. As janelas do meu quarto estão abertas para ventilar o ambiente. É verão no Brasil. Silêncio total na rua. É o interior. É a Taquarana começando a dormir.

 

Dentro de casa, confiro o celular carregando, livros sobre a escrivaninha e o computador ligado. Acesso à internet. Entro numa rede social – facebook – e começo a conversar com amigos. Estou à procura de uma pessoa para ser a entrevistada da Revista Escoteira.

 

És que encontro a pessoa ideal e ela está on-line. Acho estranho que esteja on-line por conta do fuso-horário, uma vez que minha pretensa entrevistada encontra-se em Limerick, uma cidade da República da Irlanda, estando seu relógio adiantado três horas a mais do que o meu, como aprendi nas aulas de Geografia. Assim, na terra da banda U2 e do escritor Oscar Wilde já é 01h40 do dia 13. Inverno no hemisfério norte.

 

Não custa nada conferir se ela está acordada. Envio-lhe uma mensagem de “boa noite”. Para minha surpresa, logo sou retribuído com um “boa” acompanhado de um emoticon sorridente. Começamos a conversar e trocar ideias. Por conta do horário avançado na Europa, trato logo de explicar o que estava pretendendo: uma entrevista.

Explico-lhe a ideia e ela prontamente aceita o convite.

 

A entrevistada de hoje é uma jovem taquaranense que está fazendo intercâmbio universitário na República da Irlanda.

 

Confira na íntegra a entrevista com estudante de Engenharia Química da UFAL, Juliana Cristina da Silva, carinhosamente conhecida por Ju.

 

Revista Oficina Azimute: Olá, Juliana! Primeiramente, gostaríamos que enviasse uma saudação aos seus amigos e parentes aqui no Brasil.

Entrevistada: Olá, é um prazer fazer parte desse projeto, que é a Revista Oficina Azimute. Eu gostaria de dizer que estou com muita saudade de todos aí em Taquarana e que logo estarei de volta.

 

Revista Oficina Azimute: Fale-nos um pouco sobre sua formação estudantil. Onde estudou até chegar a frequentar os corredores da UFAL?

Entrevistada: Eu estudei em Taquarana até a minha 7ª serie (que hoje é o 8º ano), começando pela escolinha Cantinho Feliz e seguindo nas escolas: Professora Divonete Cavalcante e a escola que hoje é a Maria Iraci. A partir da 8ª série eu passei a estudar em Arapiraca, estudando a 8ª serie na Escola Santa Esmeralda e o ensino médio no Colégio Domingos Rodrigues.

 

Revista Oficina Azimute: Qual a importância da leitura em sua formação?

Entrevistada: A minha mãe sempre me incentivou a ler e hoje eu sou uma apaixonada. A leitura foi fundamental para mim no ensino médio, foi através dela que eu tive um bom rendimento nas minhas redações dos vestibulares e também nas disciplinas relacionadas à Língua Portuguesa. Eu, sinceramente, não gostava muito de estudar essas disciplinas, sempre preferi matemática e química, e a leitura me ajudou muito. A leitura, para mim, é uma das melhores formas de receber informação, seja através de livros ou sites.

 

Revista Oficina Azimute: Qual seu escritor preferido? Indique-nos um livro.

Entrevistada: Eu costumo dizer que não tenho “preferidos” (risos), eu gosto muito de livros que prendem o leitor e que a cada página trazem outra face da história, devido a isso e a gostar também de suspense eu já li vários livros do Sidney Sheldon e Agatha Christie. Mas para indicar um livro, deixo “A menina que roubava livros” - Markus Zusak.

 

Revista Oficina Azimute: Qual sua real situação estudantil na UFAL: graduando ou mestrando?

Entrevistada: Atualmente eu sou graduanda em Engenharia Química.

 

Revista Oficina Azimute: O que fez para conseguir a bolsa de estudos?

Entrevistada:O processo seletivo é simples, existe uma avaliação na universidade que consiste em alguns critérios como: média, se o aluno participa de projetos de pesquisa, entre outras coisas. A partir dessa aprovação pela universidade o órgão que financiará as bolsas, realiza as outras etapas. Quando todos os critérios estão de acordo e a sua inscrição é aprovada você recebe uma lista de universidades no exterior disponíveis e escolhe três opções. A partir daí as universidades de cada país que escolhem os alunos e os órgãos financiadores das bolsas aprovam a bolsa.

Ter vindo para Irlanda foi uma surpresa, por que eu me inscrevi para Portugal e na minha chamada tiveram muitos inscritos para Portugal, sendo assim, o governo resolveu redirecionar as bolsas para países de outras línguas e para isso ofertou um curso para aqueles que não tivessem a proficiência mínima no idioma (meu caso). Meu inglês era muito básico e eu não esperava ter sido selecionada para o curso de inglês que seria feito também aqui na Irlanda.

Revista Oficina Azimute: Fale-nos sobre esse projeto do Governo Federal educação/ciência sem fronteiras.

Entrevistada: Esse programa do governo dá a oportunidade aos alunos de conhecerem e desenvolverem trabalhos e pesquisas em universidades e institutos tecnológicos no exterior. Normalmente, as bolsas são disponíveis para um período de um ano letivo, que aqui na Europa vai de setembro a maio e se o aluno fizer estágio ele pode renovar essa bolsa por mais alguns meses. Na minha chamada, que foi uma exceção no programa, nós tivemos a oportunidade de fazer um curso de inglês antes de iniciar as aulas, eu tive aulas de inglês de janeiro a agosto de 2014 e desde setembro eu estou estudando no Instituto Tecnológico de Limerick – Irlanda.

 

Revista Oficina Azimute: O que faz um engenheiro químico e qual a perspectiva dessa área no Brasil?

Entrevistada: Um engenheiro químico é responsável por desenvolver, operar e melhorar processos e seus produtos, relacionado a diversas áreas da indústria como: Petróleo e Gás, indústria de alimentos e bebidas, produtos químicos em geral etc. O Brasil conta com grandes indústrias no ramo da engenharia química. No estado de Alagoas nós temos como exemplo a Braskem e as usinas de produção de álcool. O mercado é bem competitivo e também quando há concursos eles são bem concorridos. Tem muitos engenheiros que preferem trabalhar na área acadêmica, mas eu espero trabalhar na área industrial.

 

Revista Oficina Azimute: Pretende morar/trabalhar no exterior ou voltar para o Brasil?

Entrevistada: Pretendo morar e trabalhar no Brasil, mas não posso descartar a possibilidade de trabalhar fora também, tudo vai depender do mercado de trabalho e das propostas. Mas meu foco é continuar no Brasil.

 

Revista Oficina Azimute: Fale-nos um pouco sobre sua experiência estudantil na Europa, comparando-a com o Brasil.

Entrevistada: Aqui no instituto onde estudo, eles priorizam a parte prática dos cursos, os laboratórios são bem completos, com muitos materiais e aparelhos. Eu não estudo Engenharia Química diretamente. Eu estudo em um curso relacionado à geração de energia através de recursos renováveis, no caso biomassa, que era a área que eu trabalhava na UFAL.

 

Revista Oficina Azimute: Gostaríamos de saber se você teve contato com algum escoteiro ou sabe alguma coisa sobre o movimento daí.

Entrevistada: O movimento escoteiro aqui na Irlanda realiza diversas ações inclusive tem um grupo no mesmo bairro que eu moro, já entrei em contato com eles através de e-mail e nas próximas semanas farei uma visita.

 

Revista Oficina Azimute: Em poucas palavras, apresente a República da Irlanda, suas impressões acerca desse país, desse povo. O que você achou mais interessante aí?

Entrevistada: A Irlanda é um país encantador. Existem muitos lugares lindos para visitar, muitos parques e montanhas. Aqui chove muito o ano todo, devido a isso o país é conhecido por ilha esmeralda, por ser tudo muito verde. Junto à chuva também há muito vento e andar por aqui no dia a dia com chuva e vento não é nada fácil, o vento diminui muito a sensação térmica. Em termos de culinária, eles não possuem uma comida muito boa, o clima não ajuda muito na produção de alimentos. Na Irlanda se come muita batata, muita mesmo, tudo tem batata nas mais diversas formas. Eles não têm o costume de comer feijão como a gente, o mais comum é um feijão em lata (tipo ervilha), que normalmente é meio adocicado. Bebida e cigarro são caros, mas eles bebem bastante cerveja. Outra coisa interessante é que, até o ano passado, eles não pagavam nenhuma taxa de água, mas vão começar a pagar agora em 2015. E como na maioria dos países da Europa, você toma água direto da torneira. Os irlandeses são muito amigáveis, fazem a gente se sentir em casa.

 

Revista Oficina Azimute: Sabemos que há poucas décadas tínhamos uma intolerância religiosa profunda entre católicos e protestantes nessa região. Diante disso, qual a sua sensação nesse sentido? Como você foi tratada pelos irlandeses? Como você analisa a xenofobia?

Entrevistada: A Irlanda é um país de maioria católica, é muito comum ter uma capela dentro das universidades e escolas. Há muitas igrejas espalhadas por todo o país e grande parte deles seguem os costumes de suas religiões. Em relação a xenofobia, graças a Deus, eu fui muito bem recebida por todos, não tivemos problema nenhum em relação a isso em nenhum lugar aqui na Irlanda.

 

Revista Oficina Azimute: Quais outros países você conheceu?

Entrevistada: Viajar aqui na Europa, quando se recebe em euros e economizando corretamente, é fácil e mais viável que viajar no Brasil, porque você consegue voos e também estadia a preços acessíveis, devido a isso eu viajei em todas as férias que tive. Conheci algumas cidades de Portugal, Espanha, Itália, Holanda, Bélgica, Inglaterra, França e Irlanda do Norte.

 

Revista Oficina Azimute: Como você e o povo irlandês reagiram aos atentados na França?

Entrevistada: Aqui na Irlanda a comunidade islâmica se declarou contra os atentados e diversos jornais divulgaram notas a respeito do mesmo. Levantou-se a questão da Irlanda no cenário internacional, devido o país ser “a porta da Europa” dos voos que vêm dos EUA. Muitos aviões dos exércitos americanos param aqui para abastecer. Devido a isso, o governo descartou a hipótese do país ser um alvo de atentados.

 

Revista Oficina Azimute: Qual o jornal mais famoso da Irlanda? Poderia gastar alguns euros e trazer na sua mala um jornal para nossa redação quando de sua volta ao Brasil?

Entrevistada: Aqui, os dois jornais mais conhecidos são o “Irish Independent” e o “Irish Times”. (Irish significa Irlandês). Será um prazer levar uma edição deles para vocês.

 

Revista Oficina Azimute:Os amigos e amigas pediram para perguntar se já existe um paquera irlandês encaminhado? (risos na redação)

Entrevistada: (Minha mãe vai ler essa revista ? Rsrs). Brincadeiras a parte, não há nenhum paquera Irlandês, os irlandeses são naturalmente mais tímidos que os brasileiros. E manter um relacionamento aqui seria bem complicado na hora de voltar ao Brasil rsrs

Revista Oficina Azimute: Quando voltas ao Brasil?

Entrevistada: Minhas aulas se encerram no final de maio. Então, provavelmente, voltarei em junho.

 

Revista Oficina Azimute: Suas considerações finais.

Entrevistada: Eu fiquei muito feliz em saber do projeto da revista na nossa cidade e ser convidada para uma entrevista me deixou mais feliz ainda. Espero que esse projeto traga bons frutos para todos e que a revista e o grupo de escoteiros tenham sempre boas novidades que envolvam a nossa cidade. Mais uma vez agradeço pelo convite!

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Emanuel Varela ESCRITO POR Emanuel Varela Escritor
Taquarana - AL

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