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A HISTÓRIA DA FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DO Ó, DE SÃO MIGUEL DOS CAMPOS, ATÉ OS DIAS ATUAIS (1702/2017).

Antes da elevação a Freguesia de Nossa Senhora do Ó, havia o curato, a história passa por essa trajetória cada uma delas segue a mesma linha em sua formação. São Miguel dos Campos, uma das mais antigas tem suas origens lembradas pela criação do curato de Nossa Senhora do Ó, em 1683, no entanto, nada prevalece que indique as respectivas curas.

A instalação de fato e de direito da Freguesia de Nossa Senhora do Ó, ou Vigária se deu no dia 07 de janeiro de 1702, sobre a orientação do padre Antônio de Souza Carneiro. Na ocasião dizia informação geral da Capitania de Pernambuco de 1747: “ lá viviam com abastança, cinco sacerdotes e havia 635 fogos e 2580 pessoas de confissões. A Freguesia, contava com duas igrejas e seis capelas, além de pequenas ermidas”. Reza a tradição que havia em São Miguel anteriormente três igrejas, a Igreja de Nossa Senhora do Livramento, localizada na Rua da Ponte e a Igreja Ermida de Santa Cruz, no logradouro do mesmo nome, ou seja, Rua da Santa Cruz e anexo a igreja existia um cemitério, que fazia parte também do seu complexo e a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, antiga matriz. As desavenças entre as ordens também existiam as carmelitas do convento do Carmo se apossaram do hospício de Nossa Senhora do Ó, em detrimento dos frades franciscanos de Santa Madalena do Sul a outra parte contestadora, que reclamava a posse do asilo. No termo que esclarece a questão, documento que se encontra na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Alagoas volume II, há a seguinte informação: “ no dia 17 de janeiro de 1733 tomaram  posse no hospício de Nossa Senhora do Ó da Vila de São Miguel, os religiosos do Carmo calçados da Província da Bahia...24 de janeiro deste presente ano de 1735 morando a maior parte destes dois anos no dito hospício o reverendo padre prior frei Custódio do Sacramento e Lima e seu companheiro, o padre  frei Manoel da Sacra Família, sempre os ditos religiosos viverão com notável procedimento e aceitação de todo o povo e observação a que EL. Rei Nosso Senhor ordena no seu alvará régio sobre a fundação do dito hospício...pelo que, atendendo a capela de Nossa Senhora do Ó, cujo dádiva confirmou o IImo. Sr.  Bispo D. Frei Joseph Fialho para nela principiarem as obras...Freguesia de Nossa Senhora do Ó de São Miguel dos Campos aos 24 de janeiro de 1735 “. Como se observa, os padroeiros e padroeiras eram envolvidos também nessa disputas pela hegemonia das ordens religiosa, havendo as vezes substituições dos santos, como é o  caso de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que era a  matriz originalmente, sendo substituído mais adiante pela santa do orago da Freguesia de Nossa Senhora do Ó, de São Miguel dos Campos.

A Igreja Nossa Senhora do Livramento e a Igreja Ermida da Santa Cruz, foram vitimas da enchente do Rio São Miguel, exatamente na mesma época que foi criada a Freguesia de Nossa Senhora do Ó, em 1702 e foram demolidas, logo em seguida. Outra igreja que sofreu o mesmo problema foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que ficava localizada na Rua Dr. Júlio Prestes, também conhecida como, Rua do Correio, ela era edificada, onde é hoje a casa do empresário Nivaldo Jatobá, ela sofre apenas danos materiais e foi recuperada, meses depois, curioso é que ela permaneceu quase dois séculos como matriz oficial da Freguesia de Nossa Senhora do Ó. Alguns comerciantes tinham superstições, divido a estrutura de como a igreja foi edificada, a frente dela era defronte para o rio, na rua que dar de acesso à Praça de Mult- Eventos, o fundo da referida igreja, era virado para o comércio, segundo os comerciantes, a igreja dava azar, às vendas, pelo motivo da sua instalação em forma contraria.

A Igreja Nossa Senhora do Rosário, acolheu as imagens das outras igrejas demolidas, como por exemplo: Nossa Senhora do Livramento, Nossa senhora das Graças e São Benedito. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, por consequência do destino, a igreja sofreu mais um abalo da natureza, e foi demolida em 1938 e os materiais que sobraram da referida igreja, foram levados e aproveitados, para a construção da Igreja de São Benedito, que foi concluída em 1950.

Com excesso das enchentes do Rio São Miguel, toda estrutura física da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, foram demolidas e o conselho da Freguesia de Nossa Senhora do Ó, que tinha como  administrador o Padre Francisco de Moura Lima (1817/1833), em conjunto, com outros órgãos ligados ao catolicismo, resolveram  construir uma nova sede, para atender os benefícios constantes dos fiéis da comunidade, que suplicavam por proteções constantes a Nossa Senhora do Ó e exatamente em 1835, o sonho foi concretizado, foi edificada a Igreja de Nossa Senhora do Ó, neste tempo o povoado de São Miguel, já tinha passando a condição de vila, com a denominação de Vila São Miguel, isto aconteceu em 10 de julho de 1832. A Matriz de Nossa Senhora do Ó, foi inaugurada pelo Padre Manuel Joaquim da Costa (1834/1839), próximo á igreja, existia um cemitério, que fazia parte do seu contexto,  onde é hoje a Escola Municipal Imaculada Conceição.

A matriz de Nossa Senhora do Ó, foi feita de forma inclinada, no estilo barroco e rococó, contendo na frente três portas e cinco janelas adjacentes, no seu arco divisor um cruzeiro e  uma torre do lado direito, os oitões compostos de dez janelas e duas portas e o fundo  num formato  de uma entrada ocultada.

Em 1910, foi edificada uma varada, acima da entrada da igreja, no intuito de acomodar os grupos de louvores, mencionado na hora da missa, espaço erigido na gestão do Padre Emílio Diverchy (1905/1910).

Em 1913, o proprietário do Engenho do Coité, coronel Marcos Antônio José da Silva, fez uma doação de um relógio para a Matriz de Nossa Senhora do Ò, ele veio diretamente da França, transportado de navio, para o porto do francês, que ficava localizado na antiga capital de Alagoas, cidade de Alagoas ( atual Marechal Deodoro ) e as peças do relógio, foram trazidas de barcaças, pelo Rio São Miguel. O relógio foi estalado como destaque na torre da igreja, na gestão do Padre Epifânio Moura ( 1911/1913 ).

Em 1921, foi erguida a torre do lado esquerdo, na administração do Padre João Teixeira de Vasconcelos (1917/1920) e inaugurada pelo Padre Júlio de Albuquerque (1921/1953), ela foi oferecida a Nossa Senhora do Ó, como forma de pagamento de uma promessa, feita por Dona Maria Julia, esposa do Coronel  Francisco da Rocha Santos, comandante da guarda nacional de São Miguel. Dona Maria Julia, foi sanada de uma doença grave, graças, as orações e os milagres de Nossa Senhora do Ó. Na torre foi esculpido um relógio a óleo idêntico ao relógio original, dizem, que ele chegou a trabalhar, agregado no outro com uma  corda.

Na década de setenta a Matriz de Nossa Senhora do Ó, foi restaurada, pelo Padre Benício de Barros Dantas, onde foram mudados alguns detalhes da sua beleza interior, perdendo assim, um pouco da sua originalidade do passado. A pintura do teto, com efeito de perspectiva realidade, com elementos arquitetônicos, que, a distância dava a impressão de ser ter o céu á vista, com Nossa Senhora resplendorosa, no centro, entre nuvens, cercada por anjos, foi substituído por um teto de madeira. O seu altar-mor, que era de estilo colonial, com traço revestido de dourado, foi destruído e no seu lugar foi levantado um simples altar, sustentado por um forte torno e tendo como cobertura uma pedra de mármore trabalhada, outra coisa que foi muito contestado pela comunidade miguelense, foi à retirada da pia benta, por ser um lugar sagrado e tradicional no contexto histórico e cultural da humanidade.

A Matriz de Nossa Senhora do Ó amparou as imagens das outras igrejas, vitimadas pela enchente do Rio São Miguel, algumas delas, vieram definitivamente, já outras, ficaram aguardado a construção da sua própria casa, foi o caso da imagem de São Benedito.

Todos os padres que passaram por São Miguel dos Campos, deixaram seus legados e suas contribuições para o engrandecimento da Matriz de Nossa Senhora do Ó e alguns deles, deixaram seus nomes gravados nas memórias e nos corações dos miguelenses. Citarei alguns nomes sem desmerecer os demais: Padre Júlio de Albuquerque, Padre Benício Barros Dantas, Padre José Neto, Padre Hildebrando Guimarães, Padre José Silva de Oliveira,  Padre Epitácio Ferreira Palmeira Júnior, etc.

A Matriz de Nossa Senhora do Ó, foi transformada em Paróquia, pertencente à Diocese de Penedo, sobre a responsabilidade do Padre Erick José Oliveira Almeida e do seu edjunto, Padre Ednaldo Batista dos Santos, por sinal, o Padre Erick, vem  desempenhando um excelente papel, em prol da comunidade e da própria igreja, como exemplo: podemos citar o concerto do relógio da Paróquia, que a muito tempo estava parado é uns dos cartões postais da cidade, a restauração e a pintura da Paróquia e muitas coisas mais...

Esse monumento, apesar de perder alguns elementos de fundamentais importâncias, nos longos dos anos, ainda mantém em seu domínio um vasto acervo de imagens e peças de grandes valores, como também, muitos bens materiais, como é o caso do Prédio onde funciona o Colégio Nunila Machado, da Escola Municipal Imaculada Conceição, da antiga residência da Dona Olódia Machado, da Casa Paroquial, etc.

Nossa Senhora do Ó é a padroeira do município de São Miguel dos Campos e o Arcanjo São Miguel, que deu nome ao rio, ao povoado, a vila e consequetimente à cidade é o co-padroeiro. 

 

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Publicado em 23 de Outubro de 2017

Atualizado em 25 de Outubro de 2017

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