REMORSO DE UM FILHO

Antonio Batista Antonio Batista 06 de Fevereiro de 2018

Pai, pequei, errei contigo,

Nunca fui seu amigo,

Me perdoa!

Alivia este horrível e triste sentimento,

Que para mim é um castigo.

Que sofrimento,

Dias e noites me corrói por dentro.

Oh Deus de bondade, como eu era com ele,

Antes dele partir para a eternidade...

Pai, não me lembro se alguma vez,

Disse que te amava,

E o quanto eras importante para mim,

Que você era o melhor amigo que Deus me deu.

Papai, meu pai, o tempo não passou,

Você foi quem passou pelo tempo,

Assim como eu estou passando

Como um vento violento.

Meu pai que tristeza, que dor, que tormento...

Eu nunca tive tempo, ou melhor,

Eu nunca quis ter tempo para o senhor.

Eu tinha tempo para tudo na vida;

Para os meus amigos, para as minhas coisas,

Para as minhas festas,

E para você o tempo nunca dava.

Painho, que saudade, que remorso!

Ah, se eu fosse o Todo Poderoso,

Voltaria o tempo para vivermos bons momentos...

Ah, se eu pudesse voltar o tempo que passou,

E que não volta mais...

Deus, meu Deus,

Onde está o valor de um pai?

Eu sei, não está no passado,

Não está no presente,

Está no futuro da memoria da gente,

Quando você já não existe mais.

Deus, por que eu não busquei conhecer

E viver o valor de um pai,

Enquanto o meu estava vivo?

Papai meu herói anônimo, herói dos bastidores,

Nunca percebi o seu verdadeiro valor.

Pai quanto trabalhaste incansavelmente

Para dar o sustento da gente.

Quanto sofreu, se sacrificou,

Adoeceu e muitas vezes se humilhou.

O valor de um pai não está no carinho que dedicou,

Não está no afeto e muito menos no seu grande amor,

Pelo qual nos amou.

Estará no futuro, quando já for passado.

Estará no túmulo, e apenas na saudade

Do tempo que passou,

Para a memoria de um filho ingrato e sem amor.

Tempo este que não volta jamais,

E o filho cheio de remorso,

Diz: pai como eu queria que você pudesse voltar!

Fala a voz da consciência do filho

No seu subconsciente pensa ele:

Mas será, que tudo iria mudar mesmo?

A voz da própria consciência replica:

Tolice, meu amado filho, se eu voltasse

Tudo seria a mesma coisa...

Iria ficar como sempre esteve:

Desgosto, tristeza, angustia,

Incompreensão, muita dor,

Desrespeito, abandono

E principalmente a sua falta de amor.

Sabe filho, deixa como está,

Eu já passei, agora é a tua vez...

Tudo que você me fez, e me dedicou

Agora os seus filhos, meus netos,

Hão de te pagar, com certeza,

Com a mesma moeda

Que você deixou para mim,

Dentro da minha casa, sobre a minha mesa.

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