O SALVADOR DA PÁTRIA, será?

Edson de Carvalho Silva Edson de Carvalho Silva 31 de Outubro de 2018
31 de Outubro de 2018

Ontem, 28 de outubro de 2018, em que pese a ausência do meu aluno preferido, Cícero, na Escola Bíblica tive a oportunidade de lecionar sobre Lucas 19: 28 a 48, cujo tema foi "A Entrada de Jesus em Jerusalém", fato que tornou-se inevitável uma breve reflexão sobre o atual pleito eleitoral.

Mesmo que a figura do candidato não reporte semelhança com o salvador da humanidade segundoa essência da sua missão, algumas circunstâncias fez-me lembrar da trajetória da campanha de Jair Messias Bolsonaro, conforme passo a relatar.

Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho, momento em que a multidão o aplaudia, reverenciava-o e gritava em uníssono: "Bendito o que vem em nome do Senhor! e jogava vestes pelo chão por onde o Rei haveria de passar. Não muito diferente disso, também em uníssono as multidões por onde Bolsonaro passou, em coro, gritavam repetidamente: "Mito!, Mito!" (refrão que ainda tine e retine em meus ouvidos).

A multidão que aclamava pelo nome de Jesus, vivia oprimida por um governo romano que não lhe permitia prosperar, tampouco expressar publicamente a sua dor. Os governantes eram corruptos e o mau exemplo destes contaminava os publicanos que cobravam impostos em dobro para enriquecerem criminosamente. O povo estava cansado de tanta roubalheira e, na ocasião, via em Jesus o ungido de Deus que traria de volta a sua libertação contra um governo nefasto. Nisso eles erraram, pois o reino que Jesus veio implantar não é deste mundo; Mesmo assim, o enredo me conduziu ao mensalão, à lava jato, às delações premiadas, aos altos impostos e aos escândalos da Petrobrás e BNDS, cuja caixa preta espero que Bolsonaro a encontre.

Enquanto o povo o aclamava Rei de Israel, montado num jumentinho emprestado, Ele simplesmente chorava por Jerusalém, cujos moradores se afastaram dos caminhos do Senhor, motivo pelo qual a metrópole estava condenada à destruição - fato que veio ocorrer 70 anos depois, cujos patrícios dispersaram-se pelo o mundo a fora.

Jesus não tinha dinheiro, não tinha gente importante que o defendesse e, como se não bastasse, uma casta de religiosos e doutores da lei pedia a sua morte. Não porque Ele houvesse cometido crime, mas pelo fato de não conseguir conter o apoio e manifestação popular em função dos seus feitos. Ninguém conseguia encontrar nEle um defeito que convecesse o povo a abandoná-lo, por isso, apropriando-se da má fama da sua cidade, apenas perguntavam: "Pode alguma coisa boa sair da Galiléia?"

Mais uma vez, lembrei-me de Bolsonaro que era um político a quem o congresso não dava atenção haja vista a quantidade de votos obtidos quando se candidatou a presidente da câmara. Ele colocava o dedo na ferida do sistema, mas, não obstante o ódio que nutriam por ele, ninguém comentava para não despertar a fúria sociedade. Utopia.

Todavia, aos poucos o povo foi observando suas falas e seu passado, a ponto de vislumbrar em sua pessoa, um instrumento de libertação de um sistema que tem aprisionado o cidadão em grades ferro e cercas elétricas, assim como a limitação do seu direito de ir e vir dada à exacerbação da delinquência; de uma escola pública partidarizada; crianças e adolescentes incentivados à excitação sexual prematura; e, pasmem, de um sistema que furta o direito do cidadão de bem de se defender de quem tente violar a sua integridade física e de seu patrimônio.

Percebendo o perigo que ele representava ao sistema, primeiro tentaram conter o crescimento do seu apoio popular através de mentiras, de palavras descontextualizadas e expressões mal colocadas que ele proferira em momento de tensão. Quem nunca falou bobagem? Quem nunca contou, em momentos hilários, piadas de mau gosto, mesmo vindo a se arrepender depois? Mas, aquela campanha difamatória não logrou êxito. Pelo contrário: quanto mais o agrediam na sua integridade moral, maior se tornava o seu apoio popular, chegando ao ponto do desespero, ocasião em que tentaram dar cabo à sua vida com uma facada no abdómen. Ele sobreviveu.

Em 2019, presumo que muita gente vai morrer, lamentavelmente; presumo também que vão dizer, em requinte de falsidade, que é culpa do que eles chamam de "discurso de ódio". No jornal Correio Brasiliense, vê-se uma notícia recente de homicídio não intencional por um eleitor de Bolsonaro. A partir de então, desconfio que o jornalismo partidarizado, ao cobrir um caso de homicídio irá perguntar prioritariamente em quem o homicida votou. Não o interessará se for eleitor do PT, MDB, PSDB etc., mas, se do Bolsonaro, então esta será a causa da tragédia. Poupem-me.

Em 2018, mais de 60 mil homicídios foram registrados e não se comentam de quem é a culpa, mas, se metade disso acontecer em 2019, a imprensa marxista logo lembrará a campanha do Bolsonaro.

Enfim, Jair, definitivamente não é o Messias. E, diferentemente deste, não é caminho que leve ninguém para o céu; ele não é sequer o libertador do Brasil, como foi Moisés para os israelitas. Ele vai errar, embora não espero que seja por má fé; ele vai tomar decisões inadequadas, mas aguardo que seja humilde para reformular suas ações.

Finalmente, apesar de todos os riscos, tenho expectativas de um Brasil melhor a partir de janeiro de 2019.

QUE DEUS TENHA ABENÇÕE O BRASIL

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Edson de Carvalho Silva ESCRITO POR Edson de Carvalho Silva Escritor
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