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A RECEPÇÃO DA POESIA DIGITAL E SEUS EFEITOS NA FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO

1. INTRODUÇÃO

A origem da poesia confunde-se com a própria origem da humanidade. Utilizada para os ensinamentos religiosos, morais, etc. O prazer estético era uma das formas sutis de impregnar ideologias que eram absorvidas suavemente através desta arte que ao longo dos séculos, apesar de sofrer inúmeras mudanças em suas composições ao longo do tempo, é um dos gêneros de maior encantamento e receptividade.
Assim, segundo Hélder Pinheiro (2002) trabalhar a poesia em sala de aula é uma das grandes oportunidades de assegurar ao aluno a vivência estética que a cada dia vem sendo sonegada pela escola que a marginaliza, revelando um certo desprestígio entre os gêneros literários trabalhados na escola.
Ainda de acordo com Pinheiro, a leitura do poema parece está sempre em desvantagem em relação às atividades com textos literários em prosa, gerando impasses no trato com a poesia nas aulas. Não que a leitura literária de prosa de ficção não seja importante tanto quanto a leitura de poesia, mas ambas são importantes e não devem ser negadas ao educando.
Walty Ivete (1992:82,83) afirma que: “o aluno não lê poemas, nós (professores) não ensina, os poesia (...). O estudante sente-se distante do texto poético, que é para ele um enigma, um alvo inatingível.” Ou seja, ausência de convivência com o gênero faz com que ele seja considerado de difícil compreensão contribuindo para cada vez mais a ausência do texto poético nas escolas.
Segundo Cosson (2006), esse distanciamento contribui para perda da oportunidade única no processo de formação literária ou letramento literário. Negligenciando o encantamento que permite aguçar as emoções e a sensibilidade, como fator indispensável a uma formação humanística global.
Para que seja superado, é necessário que a leitura do texto poético faça parte das práticas de letramentos do professor tanto quanto do aluno. Bem como o mesmo deve acompanhar as transformações pelas quais o mesmo passou e/ou vem passando. Pois, é necessário perceber que não é apenas as temáticas que mudam, mas suas composições para expressar seus sentimentos diante do mundo.
Dentre os demais movimentos literários que ocorreram ao longo da história da literatura, o Concretismo, movimento da década de 60, realizou uma revolução formal, pensando em uma comunicação eficiente e, no ato da leitura, incorporou a sensibilidade do leitor moderno ao trabalho de criação, utilizando os mais modernos recursos visuais. Operando uma atualização radical dos recursos materiais (métrica, rima, aliteração, paronomásia, cortes e repetição de frase, neologismo, inversões sintáticas, plasticidade de letra impressa etc.)
A partir dessas mudanças, sugiram outras formas de poesia que através da internet pode ser produzida e recepcionada no ambiente virtual. A poesia digital, gênero em estudo desta pesquisa, é uma das evoluções do gênero. Como define Antonio, Jorge Luiz(2010:41):

“A poesia digital é um tipo de poesia contemporânea -formada de palavras, formas gráficas, imagens, grafismos, sons, elementos esses animados ou não, na maior parte das vezes interativos, hipertextuais e/ou hipermidiáticos e constituem um texto eletrônico, um hipertexto e/ou uma hipermídia. Ela existe no espaço simbólico do computador (internet e rede), tendo como forma de comunicação poética os meios eletrônico-digitais que se vinculam a esses componentes. De um modo geral, ela só existe nesse meio e só se expressa, em sua plenitude, por meio dele.

Não sendo um gênero estanque, a poesia virtual pode ser compreendida sem precedentes porque ela dialoga com outras que antecederam, ou seja, está inserida dentro de um contexto sócio, histórico e cultural. Dessa forma convergido das demais artes ou meios de expressão artística que contém texto, som, imagem e simultaneamente. Desde as décadas de sessenta e setenta (60 e 70) existem experimentos usando o computador. Embora esse gênero seja recente, suas experimentações já tinham sido realizadas através dos vídeos, poemas, poemas-processos entre outras, que vêm buscando utilizar os recursos da tecnologia.
Dentro da diversidade de oferta de espaços de aprendizagem que o mundo contemporâneo disponibiliza, dada a revolução provocada pela informatização, a escola precisa atentar-se às novas linguagens, aos novos meios de produção de cultura buscar oferecer ao educando novas possibilidades de recepção do texto literário.
Partido do pressuposto de que a poesia é um gênero que apesar de ser de fácil receptividade não está presente de forma significativa na sala de aula, ela pode ser um rico instrumento para conquistar o aluno à vivência literária e da ciberliteratura.
Portanto, visando estas novas oportunidades que este projeto pretende analisar, a recepção da poesia digital e suas contribuições na formação do leitor da escola pública que sofre dupla sonegação dos direitos à literatura e da inserção no mundo digital. Buscando inserir novas concepções e práticas na escola que favoreçam aprendizagem significativa do educando.
2. JUSTIFICATIVA

Partindo do princípio de que a escola teria que ultrapassar práticas de leitura repetitiva, de algo que pode ser diretamente localizado no texto-referência e simplesmente decodificado pelo aluno-leitor, ao invés de conduzi-lo a uma ―leitura ativa, questionadora, crítica, que buscar valorizar os alunos como leitores e sujeitos cognoscíveis. Prova disso são os questionários ―camisas de força, que se dizem ―interpretativos, existentes nos diversos materiais didáticos utilizados em nosso país. Filipouski (2006:32).
Dessa forma, as atividades com a poesia na sala de aula pode contribuir para perpetuar este perfil de leitor passivo através de aula que explora majoritariamente os pressupostos da teoria literária, silenciando o texto poético, asfixiando a construção de seu sentidos, em nome da aquisição de saberes - teoria e história da literatura- estão o centro do interesses.
Segundo Araújo, Leocárdio Miguel (2008:75) quando isso acontece, o poema passa a ser apenas um objeto exemplificador ou mera ilustração de dados e generalizações oriundas da sistematização do ensino. Pois, não basta ler o poema para elogiá-lo, é preciso trazer o aporte da análise para interpretação, o que não quer dizer que as atividades elaboradas em torno do texto tenham de excluir o prazer de ler.As descobertas de sentidos profundos envolvidos no poema é um fator que potencializa a fruição, abrindo espaço para deixar-se envolver pelos encantamentos possíveis diante do texto poético.
Em consequência desse tratamento dado ao texto poético torna-se cada vez mais distante o trabalho com a poesia na sala de aula “pois, quase não se fala em poesia em nossas escolas” (Pinheiro:2007).
Sob esse paradigma, as novas formas de comunicação vieram ao encontro das novas condições de produção artística e literária. No entanto, professores se veem diante de um desafio entre os muros de uma escola ainda tradicional, em que a leitura é, muitas vezes, empregada como um exercício monótono, passivo e descontextualizado da realidade e interesse do aluno. Além disso, as tecnologias de informação e comunicação presentes em ambientes escolares são, muitas vezes, subutilizadas, as quais poderiam se configurar em oportunidades para aproximar os estudantes da linguagem literária, do fazer literário e das particularidades de um texto híbrido, cuja especificidade maior é encontrar-se entre a literatura.
Conforme Assim, podemos contextualizar as novas práticas de letramento fazendo das tecnologias de informação e comunicação (TIC`s) uma aliada no processo de aprendizagem e do letramento literário, pois o advento da internet modificou nossa maneira de se ler e recepcionar os textos. Como diz Kenski, Moreira Vani(2009:32):

O hipertextos e hipermídias reconfiguram as formas como lemos e acessamos informações, (..). Com a hipermídia, acessam-se informações em uma variedade enorme de formatos. (..). O poder da linguagem digital baseado no acesso a computares e todos os seus periféricos e etc.; impõe mudanças radicais nas formas de acesso à informação, à cultura, e ao entretenimento mais. Com as suas possibilidades de convergência e sinergia entre as mais variadas aplicações dessas mídias, influencia cada vez mais a constituição de conhecimento, valores e atitudes.

Sob essa afirmação, as novas formas de comunicação vieram ao encontro das novas condições de produção artística e literária. No entanto, professores se veem diante de um desafio entre os muros de uma escola ainda tradicional, em que a leitura é, muitas vezes, empregada como um exercício monótono, passivo e descontextualizado da realidade e interesse do aluno.
A escola não pode ficar indiferente às transformações tecnológicas ocorridas na sociedade, bem como, deve inserir em suas práticas o uso dessas ferramentas que contribuem significativamente para o acesso ao conhecimento e democratizando através destes instrumentos o acesso aos bens culturais, antes monopólio de uma elite.
A escola e/ou o docente através do estudo do texto poético associado à tecnologia, poderá contribuir para que o estudante desenvolva sua capacidade de interação social e amplie sua leitura em ambientes que instigam o desenvolvimento sociocognitvo. Dessa forma, a poesia virtual promove ainda a capacidade de criação e recriação do discurso por meio do computador como recurso semiótico no tratamento do texto sob à luz da ciberliteratura. Como afirma Antonio(2010:49):

Entender e apreciar a poesia digital como uma das manifestações artísticas da cibercultura é uma forma de podermos compreender o mundo contemporâneo em suas mais variadas expressões, à semelhança do que fazemos ao estudar as manifestações poéticas dos séculos anteriores.

De acordo com Antonio essas novas possibilidades de recepção da literatura propiciada pelas novas tecnologias envolvem, na verdade, questões de letramento que precisam ser discutidas e investigadas, pois configuram práticas de uso da escrita e da leitura que, embora tenham elos com os usos da escrita impressa, dela podem se distanciar visto abarcarem o uso de outros sistemas semióticos onde a escrita verbal não é o meio exclusivo.
Destarte, sem abandonar o estudo da poesia c, a recepção em hipertexto promove a capacidade de criação e recriação por meio do computador como recurso semiótico contemplando a tridimencionalidade visual.

3. Perguntas de pesquisa
• 1.Como se dar a recepção da poesia digital por estudantes do 9º ano do ensino fundamental?
• 2. De que maneira a produção da poesia digital através dos meios eletrônicos-digitais pode contribuir na formação do leitor literário?
4. OBJETIVOS

4.1 OBJETIVO GERAL
Investigar a recepção por meio dos recursos eletrônico-digitais da poesia digital e suas contribuições na formação do leitor literário em uma turma do 9ºano do Ensino Fundamental.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Revelar a possibilidade da relevância da poesia digital na escola e na formação dos educandos;
 Construir um livro digital de acesso gratuito com uma seqüência didática e uma coletânea de poesias digitais.

5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo Cândido (1989), a arte, notadamente a literatura, é um direito extensivo a todos os seres humanos. Embora, em sua maioria, as camadas inferiores da população, os alunos do ensino público, não reconhecem seus direito à arte, consequência das condições econômicas e socioculturais dos mesmos.
Dada essa realidade, a escola instancia que liga o sujeito à sociedade tem o dever de realizar práticas que visem garantir a formação cultural do educando. E, não favorecer a exclusão destes, com práticas que levem ao educando usufruir do prazer estético. Para isso é preciso.como diz Pereira, Jaqueline Aristides(2008:59):

A implementação do direito à literatura exige a superação de alguns obstáculos que tem atravancado a formação do leitor literário e que estão arraigado na mentalidade do professor, da escola e da família. O primeiro impedimento está ligado à concepção que nossa sociedade possui de arte e de cultura lúdica, visualizando as preferencialmente como objeto de entretenimento, os quais, não constituindo algo sério, não podem atuar como instrumentos preponderantes no desenvolvimento social. O segundo entrave no caminho da democratização do direito à literatura está associado à postura do professor frente aos textos literários:em pleno século XXI, quando se defende a descentralização e a liberdade em vários setores da cultura, é comum vermos nas nossas escolas muitos doentes atuando como “generais” do conhecimento.

Tais posturas só poderão ser mudadas se houver primeiro uma mudança de atitude dos educadores que, por sua vez, foram vítimas desta sonegação e reproduzem isso em sua prática docente. Essas transformações só serão possíveis mediante a apreensão de novas teorias e metodologias que rompem com essa cultura de que só o professor possui a interpretação correta dos textos literários, e de que os alunos não são agentes na construção do sentido texto, pouco importando seus interesses, seus conhecimento de mundo e sua cultura. Assim sendo, a escola continua sendo mera transmissora de conhecimento e não construtora deste.
O método recepcional é estranho à escola brasileira, em que a preocupação com o ponto de vista do leitor não é parte da tradição. Os estudos literários têm se dedicado à exploração dos textos e sua contextualização espaço-temporal num eixo positivista. Bordini& Aguiar (1993:81).
Apresentado por Jauss (1994) a teoria da recepção assegura que atitude de interação tem como pré-condição o fato de que texto e leitor estão mergulhados em horizonte histórico, muitas vezes distintos e defasados, que precisa fundir-se para que a comunicação ocorra. Para Bordini & Aguiar(1993) as ordens de convenção constitutivas do horizonte de expectativas através dos quais incluem todas as convenções ideológicas que possibilitam a recepção/produção de texto são:Zilberman(1971:74-75):

- Social , pois o indivíduo ocupa uma posição na hierarquia da sociedade;-intelectual, porque ele detém uma visão de mundo compatível, na maior parte das vezes, com seu lugar no espectrosocial, mas que atinge após comtemplar o ciclo de sua educação formal; - ideológica, corresponde aos valores circulantes no meio, de que se imbui e dos quais não conseguir fugir;-linguística, pois emprega um certo padrão expressivo, mais ou menos coincidente com a norma gramatical privilegiada, o que ocorre tanto de sua educação, como espaço social em transita;-literário, provenientes das leituras que fez, de suas preferências e da oferta artística que a tradição, a atualidade e os meios de comunicação, incluindo-se aí a própria escola, lhe concedam.

No ato da recepção, a fusão do horizonte de expectativas deve acontecer obrigatoriamente, uma vez que as expectativas do autor se traduzem no texto e as do leitor são a eles transferidas. O texto se torna o campo em que os horizontes podem identificar-se ou estranhar-se. Segundo Bordini& Aguiar(1993:83), a modificação desse se dará através da distância estética, a diferença entre as expectativas e forma concreta, pode iniciar uma modificação no horizonte de expectativa.
O trabalho com poesia favorece essa mudança no horizonte de expectativa do educando, já que é expressão do “eu” através da linguagem conotativa constituindo-se assim em um texto plurissificativo, pois a análise direta da complexidade e densidade do seu conteúdo consiste em um esforço de apreensão e não em uma técnica infalível.Moisés (1969).
Por ser este instrumento de infinitas possibilidades de utilizar o lúdico, já que se constitui num espaço resultante de informações ausentes ou implícitas no texto e da configuração da linguagem literária, fato que exige do leitor um participação ativa, de liberdade e criatividade na reconstrução do sentido do texto. De acordo com Rolla (2004:114), sem a presença do leitor, o texto literário torna-se vazio de sentido. Logo, as interpretações podem ser múltiplas, não cabendo ao professor dirigir recepção de acordo com a sua leitura e seu conhecimento de mundo.Sua função social consiste em assegurar que sempre dê prazer. Como assegura Eliot:

Para além de qualquer intenção especifica que a poesia possa ter, (...) há sempre comunicação de alguma nova experiência, ou uma nova compreensão do familiar, ou a expressão de algo que experimentamos e para o que não temos palavraso que não temos palavras- o que amplia nossa consciência ou apura nossa sensibilidade. (1991:36)

Seja de diversas formas o texto poético busca expressar sentimentos universais. E desde a década de 60 utiliza meios tecnológicos para produzi-las, pois a poesia verbal impressa, dada a sua linguagem peculiar, contém potencialmente as imagens (estáticas ou animadas) e os sons, ou seja, a leitura das palavras forma, na mente do leitor, imagens estáticas ou animadas e sons. Isso foi claramente conceituado por Ezra Pound (1990:63) como melopeia, logopeia e fanopeia:

1. Projetar o objeto (fixo ou em movimento) na imaginação visual. 2. Produzir correlações emocionais por intermédio do som e do ritmo da fala. 3. Produzir ambos os efeitos estimulando as associações (intelectuais ou emocionais), que permaneceram na consciência do receptor em relação às palavras ou grupos de palavras efetivamente empregados.

Essa potencialidade teorizada e materializada na poesia de Pound tem sido um objetivo do poeta contemporâneo, pois os novos meios vêm oferecendo possibilidades de colocar em prática muitas dessas linguagens de que a poesia se serve a partir da linguagem verbal.
Segundo Antonio (2010:14), esses elementos são potenciais para alguns tipos de tecnopoesia, ora com o uso predominante de palavras e imagens, ou sons e imagens, ou palavras e sons, pois somente com o surgimento da poesia hipermidiática é que se tornou possível reunir todos esses componentes nos meios eletrônico-digitais. Assim, vem ocorrendo diferentes associações: palavras e imagens estáticas; palavras e imagens animadas; palavras e sons; palavras, imagens estáticas e/ou animadas e sons. Os agrupamentos produzem novas significações e, de certa forma, realizam e enriquecem o que já está potencialmente indicado nos recursos expressivos, polissêmicos e multidisciplinares da linguagem poética verbal.
Dessa forma, a inserção da poesia digital na sala de aula a partir do conhecimentos e da suas mudanças ao longo do tempo favorece, através dos recursos midiáticos, o jogo com o texto, já que o mesmo exige do leitor o preenchimento dos espaços vazios. Iser (1996) caracteriza o texto literário pela incompletude. Para ele, a literatura se realiza na leitura. Tal acepção provoca ambiguidade: a literatura tem existência dupla, existe independentemente da leitura, nos textos e bibliotecas, e é potencial, pois se concretiza através da leitura.
Para o teórico, o verdadeiro objeto literário não é o texto objetivo e nem a experiência subjetiva, mas a interação entre ambos. A comunicação entre o texto e o leitor ocorre por meio do diálogo, pois, “o texto ficcional deve ser visto principalmente como comunicação, enquanto a leitura se apresenta em primeiro lugar como uma relação dialógica.” (ISER, 1996, p. 12).
Para isso, o trabalho com outras manifestações da poesia, como é o caso da poesia digital , pode proporcionar, através dos recursos midiáticos articulando leitura e prazer contribuindo para que o educando possa realizar a experiência estética. Logo, ler uma tecnopoesia em qualquer meio é uma atividade semelhante à de abrir um livro e ler uma poesia verbal, ver uma poesia visual, ouvir uma poesia sonora, assistir a uma poesia performática, visitar uma instalação poética, acessar uma poesia eletrônica. Em todos esses procedimentos, predomina uma atividade comum: a poesia. Independentemente do suporte, há a leitura da poesia, não importa de qual tipo seja. A palavra poética está presente em toda tecnopoesia e determina uma configuração espacial, básica, formadora.
6. MEDOTOLOGIA

Este projeto trata-se de um estudo de intervenção pedagógica junto a estudantes do 9º ano da escola estadual professor Saturnino de Souza localizada em Matriz de Camaragibe-AL. A análise dos dados utilizará o método indutivo, pois recorrerá à observação de várias atividades, utilizando a metodologia recepcional para verificar as contribuições da poesia digital na formação do leitor literário.
O Referencial Teórico para as atividades de leitura é o estudo proposto em relação à poesia digital, Antonio (2002) fundamenta-se na teoria da inserção das tecnologias móveis no ensino, apresentada por Lévy (1993, 1996, 1998); Rojo (2012, 2013) e Xavier (2008), os quais propõem renovação e inovação pedagógica, por meio de novos recursos e ferramentas, aproveitando as potencialidades das tecnologias usadas pelos alunos, em contexto real de aprendizagem.
Participarão da pesquisa 40 estudantes, com idade entre 13 e 15 anos, os quais serão informantes de dados em amostra ampla, porém, uma amostra restrita de tais estudantes informantes será analisada mais detalhadamente. Eles participarão de oficinas que visa contribuir na ampliação dos conhecimentos dos estudantes sobre a poesia, suas características e funções. A partir disso, o professor utiliza Com 20 estudantes.
Por outro lado, serão oferecidas aos demais estudantes atividades específicas, dentro de uma sequência didática que amplie o conhecimento sobre a poesia. Como podemos observar:
1ª OFICINA: Objetivo: avaliar e ampliar o repertório de poemas conhecidos pelos alunos e conhecer suas diversas formas.
MATERIAL:
• Folhas de papel Kraft ou de cartolina;
• Canetas hidrográficas coloridas e fita crepe;
• Caderno.

1º MOMENTO
Inicialmente faremos uma conversa com os alunos sobre poesia, buscando saber se conhecem algum poema, ainda que seja o apenas o título, um trecho ou o autor. Em seguida, serão declamados alguns poemas e posteriormente os alunos serão convidados expressar suas ideias e sensações em relação aos poemas lidos em sala de aula.

2º MOMENTO

Buscar instigar os alunos através das perguntas analisando os poemas do mural coletados pelos mesmos. Como por exemplo: De que tratam esses poemas? Por que escolheram esses poemas? Há linhas em branco entre versos? Há palavras ou expressões que, mesmo distanciadas dentro do texto, podem ser associadas, por terem semelhança sonora ou figurarem em construções iguais? Etc. Assim, estabelecer um primeiro contato com o texto poético e suas possibilidades significativas.

2ª OFICINA: Objetivo: Proporcionar aos alunos experiências com textos literários selecionados durante a primeira oficina.

MATERIAL:
• Mural de poemas;
• Coletânea de poema do caderno da olimpíada de língua portuguesa;
• CD-ROM;
• DATA-SHOW;
• Canetas hidrográficas coloridas, cartolina e fita crepe.


1º MOMENTO
Divididos em dois grupos, e diante dos poemas por eles mesmos selecionados, os alunos, através da leitura desses textos, entrarão em contato com alguns aspectos fundamentais de um poema: rima, métrica, estrofe, verso, ritmo, eu -lírico, etc.

2º MOMENTO
Os alunos irão produzir um cartaz no qual serão apresentadas as explicações sobre esses conceitos.

3ª OFICINA: Objetivo: Dar continuidade a etapa anterior através dos temas: violência e drogas, por ser temas que estão presentes no cotidiano do aluno e da comunidade escolar. Assim, buscando romper com certezas sobre o gênero e sobre as abordagens temáticas estudadas. Dos autores: Bertold Brecht, Arnaldo Antunes, Christian Caselli entre outros.

1º MOMENTO
Para maior entendimento da poesia digital será feita uma exposição sobre o surgimento da mesma e outras que a antecederam como a poesia concreta, poema processo e poema objeto suas composições, formas, etc. através dos poetas citados acima.

2º MOMENTO
Será proposto que os mesmos crie uma re-leitura poemas digitais na página PO-EX desenvolvidos pelo poeta português Rui Torres e pelo programador Nuno F. Ferreira, com a finalidade de promover exercícios de releitura pelo processo de escrileitura¹

4ª OFICINA: Objetivo: realizar atividades que levem o aluno a se auto examinar diante das descobertas feitas nas oficinas anteriores e de sua satisfação estética e oferecer desafios para superar as limitações de compreensão do texto literário.

1º MOMENTO
Os alunos serão levados ao laboratório de informática para pesquisar poemas digitais. Em seguida farão comparações entre os poemas estudados em sala de aula, ressaltando suas diferenças e semelhanças; manifestando seus questionamentos e interpretações sobre esse novo modo poético.

2º MOMENTO
Os alunos, em grupo, fixarão no mural um quadro comparativo entre a poesia convencional e da poesia digital. Em seguida, será realizado um debate sobre esses dois tipos de poesia.

5ª OFICINA: Objetivo: ampliar os conhecimentos sobre a poesia digital seu contexto de produção, características.

1º MOMENTO
A sala será dividida em grupos que de acordo com os temas: violência, amizade, amor. Eles irão selecionar poesias digitais com temática sorteadas e prepararão uma exposição para toda escola. Será oferecida a eles um leque de poesias digitais sobre esses temas trabalhados.

2º MOMENTO

Todos os grupos se reúnem para discutir e ouvir os resultados dos trabalhos e das oficinas realizadas.

Essas atividades serão aplicadas de forma direcionada para poesia e poesia digital trabalhado, tendo como suporte os recursos disponíveis na escola, com exceção do livro didático. Dessa forma, tem-se o GE – Grupo Experimental que receberá as atividades pedagógicas elaboradas para melhorar o desempenho na leitura e compreensão da poesia digital. Outro GC – Grupo-Controle que acessará apenas os sites para posterior verificação se as atividades aplicadas tiveram ou não efeitos na melhoria do desempenho de leitura e compreensão da poesia.
Com a finalidade de obter uma melhor compreensão dos dados, os resultados serão descritos através da comparação entre os CE e CG e todos os instrumentos utilizados. Esses resultados serão tratados de forma qualitativa, concretizando-se por meio de uma análise crítica do desempenho dos estudantes ao ler poesia e a poesia digital e quais foram as contribuições da poesia digital para que o estudante possa torna-se um leitor de poesias.
Dessa forma, promover leitura de poemas buscando desenvolver habilidades leitoras dos educandos através dos recursos multimodais e hipertextuais, exigindo interações e engajamento que o levem a desenvolver a habilidade de ler em diferentes níveis de compreensão. A utilização desses recursos poderá contribuir para que a aula de leitura em Língua Portuguesa se torne um momento de aprendizagem divertida, por meio da qual os alunos possam desenvolver prazerosamente sua capacidade leitora de textos reais que circulam na sociedade, bem como desenvolver sua empatia em relação aos textos literários derrubando paradigmas de que os mesmos são difíceis e de difícil compreensão.

6.1 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Poderão ser voluntários da pesquisa alunos do EJA dos 6º e 7º anos da escola pesquisada que estejam, no momento da coleta, matriculados e frequentando a sala de aula.

6.2 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Não poderão ser voluntários da pesquisa alunos de outras turmas da própria escola, alunos do mesmo ano de uma outra escola, alunos da escola que não estejam frequentando ou não estejam, no momento da coleta, na sala de aula.

RISCOS E BENEFÍCIOS
Quanto aos riscos, entendemos que pode existir a possibilidade de os voluntários sentirem alguma timidez, ou sentimento de constrangimento por saber que os dados dos questionários serão publicados e conhecidos por outras pessoas. Informamos que será garantida aos voluntários a total preservação de sua identidade e seus nomes não aparecerão em qualquer momento do estudo, ou de publicações escritas e apresentações dos resultados. Para a análise, os questionários serão identificados por um código alfanumérico. Garantimos que se os voluntários demonstrarem algum incômodo físico ou emocional inesperado no decorrer das atividades previstas, estas serão imediatamente interrompidas. Fazemos questão de deixar claro que o voluntário tem o direito de não dar o consentimento ou de retirá-lo a qualquer momento; assim como também eles têm o direito de não responder a todas as perguntas que serão feitas no questionário.
Como benefícios, os resultados poderão ter um rebatimento direto na prática de ensino de produção textual no ensino fundamental de professores de escolas públicas que tiverem acesso à dissertação de mestrado que será gerada por meio desta pesquisa, já que o pesquisador pretende publicar a sequência didática (as oficinas) em forma de e-book, a ser gratuitamente disponibilizado na internet.


7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
MESES\ETAPAS DEZ
2015 JAN
2016 FEV
20163 MAR
2016 ABR
2016 MAI2016 JUN
2016 JUL
2016 AGO
2016 SET2016 OUT
2016 NOV
2016
Pesquisa bibliográfica x x X
Coleta dos dados X
Elaboração e execução das oficinas x x
Estabelecimento dos conceitos apropriados e das noções centrais para análise dos dados x
Análise dos dados x
Redação x x
Revisão e defesa x
Especificação Quantidade Valor unitário
(R$) Valor total
(R$)
Papel A4 para xerox dos textos e documentos 500 14,00 14,00
Cartolina 10 1,20 12,00
Caneta hidrográfica 3 9,80 29,40
Notebook 01 1.800,00 1.800,00
Tinta para impressão preta 01 49,00 49,00
Tinta para impressão colorida 01 59,00 59,00
Caneta 03 1,50 4,50
Total 1.967,90


OBS: Todo o orçamento é de exclusiva responsabilidade do coordenador da pesquisa.
8. REFERÊNCIAS INICIAIS

ANTONIO, Jorge Luiz. Poesia digital: teoria, história, antologias. São Paulo: Navegar: Editora; FAPESP, 2010. 78 p. Inclui DVD.

SOARES, M. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. Educação e Sociedade, v. 23, n. 81, p. 143-160, 2002.

BUNZEN, Clecio; MENDONÇA, Márcia. Português no Ensino Médio formação do professor. São Paulo: Parábola, 2006.

SER, Wolfgang. O ato da leitura: uma teoria do efeitoestético. Tradução: JohannesKretschmer. São Paulo: Ed. 34, 1999, v. 2.

PINHEIRO, Helder. Poesia na sala de aula.Campina Grande: Bagagem,2007.
http://po-ex.net/taxonomia/transtextualidades/metatextualidades-autografas/pedro-barbosa-jose-torres-sintext-web-um-gerador-de-texto-automatico.

SILVA, Vera Maria Tietzmann. Leituras literária& outras leituras- impasses e alternativas no trabalho do professor. Belo Horizonte: R.HJ,2009.

COSSON,Rildo.Letramentoliterário:teoria e prática. São Paulo: Contexto,2014.

ANTUNES,Irandé.Lingua, e Ensino: outra escola possível. São Paulo: parábola editorial,2009.

FISCHER, Steven Roger. História da leitura; tradução Claudia Freire. São Paulo: UNESPE,2006.


KOCH,IngedoreGrunfeld Villaça. Ler e Compreender: os sentidos do texto. São Paulo: CONTEXTO, 2006.

_____ LÍNGUA PORTUGUESA. Editora Segmento Edição: n. 83 (setembro/2012).

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. O future do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução Roxane Rojo, Glaís Sales Cordeiro. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004.

WALTY,Ivete.reflexões sobre poemas. In: PAULINO,graça;Walty,Ivete(Org.). Teoria da literatura na escola: atualização para professores de I e II graus. Belo Horizonte: UFNG, 1992.82-90.

FILIPOUSKI, A. M. R. Para formar leitores e combater a crise de leitura na escola: acesso à poesia como direito humano. Ciências & Letras: Revista da Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras. Porto Alegre, n. 39, p. 332

Eliot.T.S. De poesia e de poetas.trad. e prólogo Ivan Junqueira. São Paulo: Brasiliense, 1991.

















































































































































































































































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