Dica de Leitura

Dilucas Dilucas 05 de Maio de 2020
03 de Julho de 2020
 
Domingo, numa convocação pelas redes sociais feita pelo próprio Presidente, diferentes grupos de evangélicos acompanhados de apoiadores sem máscaras aglomerou-se em frente ao Palácio do Alvorada para uma "roda de oração e cantoria contra o corona vírus no Brasil".

No dia anterior, 02/05/20, Sérgio Moro, um dos Ministros na equipe do presidente mais bem avaliados pela população, agora, no entanto, exonerado e fora do Governo, deu depoimento a delegados e procuradores num inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente em investigações da Polícia Federal. Ainda não temos conhecimento do que ele falou nem das provas que o mesmo apresentou em juízo. Por conta desse fato protagonizado pelo ex-ministro, toda a sociedade encontra-se em suspenso aguardando os próximos passos da Justiça.

A convocação desta manifestação de ontem, no Planalto, tem ares de manobra de um Presidente acuado que quer mostrar que tem apoio popular. Retrocedendo no tempo para uma análise rápida: Jaír Bolsonaro cumpriu sete mandatos de Deputado Federal, e no período em que pertenceu ao Congresso, jamais exerceu a liderança para defender qualquer projeto de lei em andamento na casa - que fosse algum projeto contra o aborto, ou para a diminuição do salário parlamentar, que fosse o processo de impeachment da Dilma, ou ainda que fosse para flexibilizar o porte de arma... Ele nunca foi líder de nada, acho que nem mesmo de torcida organizada - também não me lembro de tê-lo visto defender publicamente a Lava-jato alguma vez quando ainda deputado. Vou deixar esta dúvida em aberto.

Sem parceiros que o apoiasse no projeto de alçá-lo a presidência juntou-se com os filhos, criou perfil no Twitter e partiu para a briga. Talvez, num primeiro momento nem ele mesmo admitisse a possibilidade de sucesso, e, no entanto, foi feliz, saiu eleito. 2018 foi o ano em que a Lava-jato deu o tiro de misericórdia no PT e prendeu o Lula - o último dos moicanos - ainda no início do mês de Abril. Os partidários do PT, no entanto, continuaram fazendo barulho sem desconfiar que, com esse comportamento, estavam provocando todos os seus adversários políticos. A população que, nas redes sociais só falava em renovação dos políticos, passou a demonstrar forte ojeriza pelos simpatizantes do Partido dos Trabalhadores. No sufrágio de Outubro daquele ano, a maioria do povo brasileiro foi às urnas e deu mostras do tamanho da sua indignação. Resultado, o PT conseguiu ser o mais votado de todos os partidos, a sua base continua sendo muito grande, principalmente no Nordeste, em compensação, perdeu a presidência e das 100 cidades mais importantes do país, nenhuma é administrada pelo Partido dos Trabalhadores.

Qual o moral dessa história: Jair Bolsonaro arrebatou a presidência porque mostrou ter liderança, a Lava-Jato e os corruptos favoreceram o projeto Bolsonaro, ou foram os próprios simpatizantes do PT e do Lula que entregaram a presidência de bandeja para o adversário?

Alguns podem até lembrar que Bolsonaro teve apoio dos militares. Não se esqueçam de que esta categoria de trabalhadores é muito pequena, apenas algumas centenas de mil num universo de milhões de brasileiros aptos a votar.

Bem, sem liderança o Presidente juntou-se com a classe dos Militares para, com seu apoio, formar uma equipe de Ministros aptos a governar o país sem precisar fazer acordos com outros partidos. Organizou a equipe, porém, passado um ano de Governo, Sergio Moro é o nono Ministro a perder o cargo. Será que é porque o Presidente não consegue ser líder? Um Presidente que não é líder consegue ser um bom gestor? O Presidente que persegue e ameaça de fechar uma empresa que emprega mais de 10.000 funcionários, a maioria em território nacional, está sendo patriota? Um Presidente que não consegue conviver em harmonia com os demais poderes, consegue passar confiança para o resto do povo?

Em tempos de pandemia a ciência recomenda o uso de mascaras e isolamento social; até o momento o método de prevenção mais eficaz contra uma doença desconhecida. Jair Bolsonaro age exatamente contrário ao que recomenda a ciência e menospreza a doença, evita de usar mascara ou usa incorretamente, e faz questão de não respeitar o distanciamento social, pondo em risco a própria vida como também a de seus apoiadores. Este é o comportamento adequado de um bom Presidente? Você quer para seu amigo um sujeito que faz muitos inimigos?

Conhece o livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie?

Deixo como dica de leitura.
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Dilucas ESCRITO POR Dilucas Autora
Rio de Janeiro - RJ

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