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Dica de Leitura

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Domingo, numa convocação pelas redes sociais feita pelo próprio Presidente, diferentes grupos de evangélicos acompanhados de apoiadores sem máscaras aglomerou-se em frente ao Palácio do Alvorada para uma “roda de oração e cantoria contra o corona vírus no Brasil”.

No dia anterior, 02/05/20, Sérgio Moro, um dos Ministros na equipe do presidente mais bem avaliados pela população, agora, no entanto, exonerado e fora do Governo, deu depoimento a delegados e procuradores num inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente em investigações da Polícia Federal. Ainda não temos conhecimento do que ele falou nem das provas que o mesmo apresentou em juízo. Por conta desse fato protagonizado pelo ex-ministro, toda a sociedade encontra-se em suspenso aguardando os próximos passos da Justiça.

A convocação desta manifestação de ontem, no Planalto, tem ares de manobra de um Presidente acuado que quer mostrar que tem apoio popular. Retrocedendo no tempo para uma análise rápida: Jaír Bolsonaro cumpriu sete mandatos de Deputado Federal, e no período em que pertenceu ao Congresso, jamais exerceu a liderança para defender qualquer projeto de lei em andamento na casa - que fosse algum projeto contra o aborto, ou para a diminuição do salário parlamentar, que fosse o processo de impeachment da Dilma, ou ainda que fosse para flexibilizar o porte de arma... Ele nunca foi líder de nada, acho que nem mesmo de torcida organizada - também não me lembro de tê-lo visto defender publicamente a Lava-jato alguma vez quando ainda deputado. Vou deixar esta dúvida em aberto.

Sem parceiros que o apoiasse no projeto de alçá-lo a presidência juntou-se com os filhos, criou perfil no Twitter e partiu para a briga. Talvez, num primeiro momento nem ele mesmo admitisse a possibilidade de sucesso, e, no entanto, foi feliz, saiu eleito. 2018 foi o ano em que a Lava-jato deu o tiro de misericórdia no PT e prendeu o Lula - o último dos moicanos - ainda no início do mês de Abril. Os partidários do PT, no entanto, continuaram fazendo barulho sem desconfiar que, com esse comportamento, estavam provocando todos os seus adversários políticos. A população que, nas redes sociais só falava em renovação dos políticos, passou a demonstrar forte ojeriza pelos simpatizantes do Partido dos Trabalhadores. No sufrágio de Outubro daquele ano, a maioria do povo brasileiro foi às urnas e deu mostras do tamanho da sua indignação. Resultado, o PT conseguiu ser o mais votado de todos os partidos, a sua base continua sendo muito grande, principalmente no Nordeste, em compensação, perdeu a presidência e das 100 cidades mais importantes do país, nenhuma é administrada pelo Partido dos Trabalhadores.

Qual o moral dessa história: Jair Bolsonaro arrebatou a presidência porque mostrou ter liderança, a Lava-Jato e os corruptos favoreceram o projeto Bolsonaro, ou foram os próprios simpatizantes do PT e do Lula que entregaram a presidência de bandeja para o adversário?

Alguns podem até lembrar que Bolsonaro teve apoio dos militares. Não se esqueçam de que esta categoria de trabalhadores é muito pequena, apenas algumas centenas de mil num universo de milhões de brasileiros aptos a votar.

Bem, sem liderança o Presidente juntou-se com a classe dos Militares para, com seu apoio, formar uma equipe de Ministros aptos a governar o país sem precisar fazer acordos com outros partidos. Organizou a equipe, porém, passado um ano de Governo, Sergio Moro é o nono Ministro a perder o cargo. Será que é porque o Presidente não consegue ser líder? Um Presidente que não é líder consegue ser um bom gestor? O Presidente que persegue e ameaça de fechar uma empresa que emprega mais de 10.000 funcionários, a maioria em território nacional, está sendo patriota? Um Presidente que não consegue conviver em harmonia com os demais poderes, consegue passar confiança para o resto do povo?

Em tempos de pandemia a ciência recomenda o uso de mascaras e isolamento social; até o momento o método de prevenção mais eficaz contra uma doença desconhecida. Jair Bolsonaro age exatamente contrário ao que recomenda a ciência e menospreza a doença, evita de usar mascara ou usa incorretamente, e faz questão de não respeitar o distanciamento social, pondo em risco a própria vida como também a de seus apoiadores. Este é o comportamento adequado de um bom Presidente? Você quer para seu amigo um sujeito que faz muitos inimigos?

Conhece o livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie?

Deixo como dica de leitura.
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Dilucas ESCRITO POR Dilucas Autora
Rio de Janeiro - RJ

Membro desde Dezembro de 2017

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