9º Encontro dos Escritores
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DEZ SONETOS INDIGNADOS


A INGRATIDÃO DA HUMANIDADE

A ingratidão, meu Deus, esta pantera
Que habita o coração da humanidade,
Ignorando o amor e tua bondade,
Chamando-te até mesmo de quimera!

A ingratidão, meu Deus, no mundo impera.
Fazer o bem parece iniquidade!
O agradecimento é leviandade,
Sempre da parte de quem não se espera!...

É contumaz, meu Deus, homens ingratos,
Comer teu pão, depois cuspir nos pratos,
Ignorando o amor com que fizeste!...

E se lhes pede comida, um faminto,
Ignoram o pobre no recinto,
Negando repartir do que lhes deste!...


QUEM NEGA PÃO AO FAMINTO

Quem nega pão ao faminto,
tendo de sobra na mesa,
perdeu-se num labirinto
de nebulosa avareza!

Quem nega pão ao faminto,
no deleitar da riqueza,
seu coração absinto
é de gigante pobreza!

Quem jamais partilha o pão,
quem nunca estende sua mão
para outra mão estendida,

pensa ser sábio sem ser,
como é pobre seu viver!
É miserável sua vida!


SONETO DA INDIFERENÇA

É triste ver a sentença
do gesto vil da omissão,
de quem presa a indiferença
trancando seu coração.

É triste ouvir a clemência
do pobre que estende a mão
ao rico sem complacência
que vocifera seu NÃO!

Meu Senhor como é tão triste
a cena que inda persiste
entre nós, povo cristão...

Pregamos amor, bondade,
união, fraternidade,
mas tão pouca é nossa ação!


A INDIFERENÇA PERSUADIU A HUMANIDADE

A indiferença persuadiu a humanidade,
Infelizmente conquistou a maioria
Até dos religiosos que, com a alma fria,
Vivem nos templos fingindo ter caridade!

Mas a oração sem a ação porventura há de
Alimentar algum faminto neste dia?
Esse gesto não será uma hipocrisia?
Ter condições e não fazer a caridade!

A indiferença como tem sabor amargo!
Como machuca quando alguém passa de largo,
Acreditando que Jesus não tem lhe visto...

Quem age assim, indiferente à dor do irmão,
Como dará bom testemunho de cristão?
Como será um seguidor de Jesus Cristo?...


SOLIDARIEDADE

Há tanta gente carente pela rua,
Tanta gente mendigando o próprio pão;
Não viva só de glória a Deus e aleluia...
De que adianta a oração sem a ação?

Há tanta gente dormindo no sereno
Necessitando de agasalho e colchão;
Há tantos órfãos, também tantas viúvas...
Meu amado sinta a dor do teu irmão!

Glorifique do Senhor Seu santo nome,
Dê carinho e também pão a quem tem fome
Que terás a recompensa lá no fim.

Foi Jesus Cristo quem deixou este ensino:
Quem ajudar a um desses pequeninos
Na verdade está fazendo para mim!


ESTENDE AS TUAS MÃOS

Estende as tuas mãos aos necessitados,
Aos que passam por grandes provações;
Pois saiba que nos Céus são registrados
Todo bem que fizerdes - tuas ações...

Estende as tuas mãos aos desabrigados,
Aos que passam nas ruas suas aflições;
Aos que pedem um pão, desesperados,
E mendigam afeto aos corações!...

Atentai p'ra sua dor, para os seus gritos,
E estende as tuas mãos para os aflitos,
Que carecem de amor, felicidade...

Recolher as tuas mãos é grande risco,
Pois quem sabe o pedinte é Jesus Cristo,
Disfarçado, pra provar tua caridade!...


A FALSIDADE DESTE MUNDO

Neste mundo é tamanha a falsidade
Que a verdade, de repente, ocultou-se;
A mentira transformou-se em verdade
E a verdade, em mentira, transformou-se!

Porventura alguém sabe onde a verdade
Neste mundo hodierno extraviou-se?
Em que parte do planeta a bondade
Inda não, em maldade, adulterou-se?

Oh Senhor, nos livrai da falsidade!
Que opera neste mundo de maldade,
Da forma mais arguta e traiçoeira...

Pois no mundo a maldade não se espira:
A verdade transformou-se em mentira
E a mentira — em verdade verdadeira!


FALSIDADE

Falsidade, fator de rima fácil
Facilmente encontrado todo dia;
Quer seja na nobreza, em modo grácil,
Ou nos servos da noite nua e fria.

Falsidade, palavra que associa
A calúnia, a mentira e a perdição.
Falsidade, o que Judas fez um dia,
Contra Cristo, ao tramar a traição!

É triste praticar a falsidade
Contra quem nos amou com lealdade
E nunca nos deixou sofrendo a esmo...

Ensinando pra toda humanidade
Que amassem uns aos outros de verdade,
Da maneira que amamos a nós mesmos!


NEM TUDO QUE RELUZ É OURO OU PRATA

Nem tudo nesta vida nos convém,
Paulo escreve deixando bem explícito:
“Tudo é bom, mas nem tudo nos é lícito”,
Provai tudo, mas só retende o bem!

Precisamos enxergar mais além,
Há espinhos nas flores do jardim;
O mundo se camufla para mim...
Porque nem todo abraço amor contém!

Preciso de Jesus na minha vida,
Pois o caminho é estreito e tem subida,
E não posso abandonar minha cruz...

Pois a vida a cada dia nos retrata:
Nem tudo que reluz é ouro ou prata...
E só existe uma esperança: é JESUS!


MÃE DE VERDADE NÃO FOGE DA GUERRA

Mãe de verdade não entra de férias,
Não deixa seu filho a esmo na rua,
Com amor e com zelo cuida da sua
Cria — sangue do sangue de suas artérias.

Mãe de verdade ela enfrenta as misérias
Pra que seu filho também usufrua
De pão, saúde, na vida tão crua,
E de educação, em meio às pilhérias.

Mãe de verdade motiva seu filho
Temer ao Senhor, a seguir o trilho
Do caminho de Cristo, aqui na terra.

Tem fé e esperança, na sua bagagem,
Tem amor, tem garra, muita coragem!
Mãe de verdade não foge da guerra!

Antonio Costta


















































































































































































































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Antonio Costta
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