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Delírios!!

Oi, Eduardo? Tudo bem? Faz tanto tempo, não é? Eu queria te dizer tanta coisa, e eu tinha todas as palavras formadas para expressar tais sentimentos adormecidos em mim, eu juro que eu as tinha, mas acontece que meus pensamentos têm evaporado constantemente, e eu tenho ficado estacionada no tempo sem saber que atitude tomar. Então, em um momento de consciência, tive um estalo em minha cabeça e algo me dizia, minha voz interior, que o certo seria vir aqui na sua casa e por em panos limpos tudo o que tivemos. Um encerramento, digamos. Pode ser assim?

Primeiramente preciso falar, já não sou mais a mesma sem você nessa linha infinita e tênue que chamamos de vida. Tornei-me um ponto em um espaço obscuro e sem saída. Várias memórias persistem na minha cabeça e tudo roda e roda sem parar em uma agilidade desesperadora que parece que minha mente vai explodir. Isso acontece na maior parte do tempo, nos momentos em que não sinto isso a calma me consome, deixando invisível todos os meus outros sentimentos, como se eles não existissem e não me pertencessem. Mas geralmente isso dura apenas alguns minutos, depois volto ao meu estado divergente de mim e me perco no meu mundo novamente.

É nesse vai e vem de alguns lapsos de lembranças suas, minhas e nossas que tenho vontade de esvaziar todo o meu cérebro, mas acabo deixando-o mais confuso me fazendo ficar cada vez mais frágil e sensível, como se eu fosse um copo de vidro isolado de tudo. É nesse instante que todas as minhas emoções se juntam em uma tempestade que invade minha alma me prendendo de todos os empecilhos impostos a minha frente.

A verdade é que tenho vontade de fugir de tudo que me envolta, fugir de mim, do que sinto e penso, porque simplesmente não quero aceitar a realidade, que é de estar sozinha nessa estrada sem você. E dizer isso em voz alta é tão difícil, as palavras mal saem da minha boca, elas ficam trêmulas quando as tento colocar para fora, já em outros momentos elas travam quando tento emitir algum som e simplesmente não sinto nada. E eu não quero ter que dizer isso, mas eu tenho. Consegue entender essa minha angústia?

O que acontece é que tudo se encontra dividido para mim. É como se eu estivesse em uma corda bamba entre duas opções me deixando completamente atordoada. O que devo escolher? Continuar em frente, mas admitir o que não quero ou permanecer com o que sinto fazendo meu estômago revirar de cabeça para baixo deixando tudo no fundo do meu eu escondido e arranhado? Então, o que vai ser? E se no meio dessa corda eu cair? Levantarei e seguirei qual destino? Difícil saber pois sempre tive a dúvida na minha vida toda como um dos fatores principais. A certeza era sempre incompleta. Nada era 100 por cento. Era tudo pelo meio e pela metade. Mas agora, estou disposta a mudar e assim transformar o cinza que tudo se encontra no colorido.

Mas antes de seguir minha aventura nesse caminho do desconhecido que a vida me oferece a cada novo encontro com ela preciso espanar de vez alguns sentimentos em decomposição que estão inquietando meu íntimo, ok? Pois vamos lá.

Amei-te enlouquecidamente como quem não pede pausa, nem momento, mas sim, como quem tem vontade de devorar e mergulhar por cada parte da arte que é esse sentimento, às vezes certos e completos, outra hora, desajeitado e desencontrado. Amei-te de forma gritante e exageradamente sufocante. Enfim, amei extenuantemente até meu último suspiro. E coberta por uma felicidade imensurável me doei inteira sentindo poeticamente cada momento único vivido com você.

Agora tenho que ir, mas diferente de antes, me sinto segura e leve para seguir em frente. Talvez por eu ter exposto aqui tudo que estava fora do meu compasso. Não sei o que tem lá na frente e sinceramente não faço questão de saber, quero apenas andar por esse meu caminho sem pressa, tranquila curtindo cada instante meu.

(Sara Lacerda)

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Sara Lacerda ESCRITO POR Sara Lacerda Escritores
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Membro desde Setembro de 2021

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