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Orientações dietéticas à pessoa de baixa renda portadora de hipertensão arterial e diabetes.

ARAÚJO, B. R. O. Orientações dietéticas à pessoa de baixa renda portadora de hipertensão arterial e diabetes. Revisão de literatura apresentada à disciplina Intervenção e Gerenciamento de Enfermagem no Processo Saúde-Doença da Pessoa Adulta e Idosa II - Curso de Enfermagem, Universidade Federal de Alagoas, UFAL. Maceió, 2009.

 

ORIENTAÇÕES DIETÉTICAS À PESSOA DE BAIXA RENDA PORTADORA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL E DIABETES

 

 

O Brasil está caracterizado como um país de terceiro mundo e de economia emergente, onde boa parte da sua população encontra-se em situação de pobreza e miséria, que refletem na sua incapacidade de garantir o acesso aos serviços públicos, direitos constitucionais, de educação, moradia, alimentação, dentre muitos outros, inclusive a saúde. A partir de então, temos indicadores expressivos no que tange à qualidade de vida da população afetada, tais indicadores nada mais são do que uma análise de requisitos considerados como essenciais à prestação de serviços integrais aos brasileiros.

Dentre os mais variados requisitos básicos para a promoção, proteção e manutenção da saúde encontramos a alimentação e a nutrição. Os hábitos alimentares inadequados constituem um fator capaz de determinar os riscos atribuídos a determinados grupos populacionais que se expõem aos mesmos, aumentando com isso as taxas de mortalidade por doenças crônicas, representadas aqui pela hipertensão arterial e diabetes mellitus.

Baseado nesta realidade, o presente trabalho trata-se de uma revisão de literatura reflexiva proposta pela disciplina de Intervenção e Gerenciamento de Enfermagem à Pessoa Adulta e Idosa 2. Busca assim reunir informações acerca das principais orientações dietéticas que podem ser feitas aos portadores de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus de baixa renda.

Segundo Brasil (2006a), a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é a mais frequente patologia cardiovascular, atingindo 17 milhões de brasileiros. Já o diabetes mellitus, segundo dados ministeriais, alcançava 5 milhões e meio da população em 2005 (BRASIL, 2006b). Para além das causas genéticas, ambas as condições crônicas nos mostram as influências dos hábitos de vida adotados pelo indivíduo e o reflexo destes em sua saúde.

Tais condições configuram-se então como um problema de saúde pública, pois além da frequência de acometimento, complicações evolutivas e mortalidade, essas doenças são de alto custo financeiro e social, envolvidos em seu deterioramento e prevenção (PERES, FRANCO, SANTOS, 2006).

A atual literatura referência em nutrição do Ministério da Saúde, o Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2006c), discorre, dentre outros temas, o impacto que a alimentação saudável tem sobre as doenças crônicas não-transmissíveis. O que significa que, providências preventivas para tais problemas de saúde pública já estão sendo tomadas, exigindo capacitação e atualização profissional, adaptadas à situação do país. Porém para dispensarmos qualquer orientação faz-se necessário o domínio do atual comportamento alimentar da população com a qual se vai trabalhar, estabelecendo critérios para a classificação de possíveis complicações decorrentes dos riscos aos quais a mesma está exposta (BRASIL, 2000).

Por exemplo, num estudo realizado em 1997, onde 60% da população da maior capital brasileira, São Paulo, consumia dieta com energia total abaixo da estimativa das necessidades, com contribuição calórica de 56% sob ia forma de carboidratos, 29% de lipídios e 15% de proteínas. Nota-se que ia contribuição lipídica e protéica encontra-se acima dos padrões recomendados em detrimento dos carboidratos. A energia, distribuição calórica e quantidade de colesterol foi adequada em apenas 5% das dietas estudadas. Concluiu-se então que a população-alvo apresentava fatores de risco para obesidade, cardiopatias, dislipidemias e diabetes (CERVATO, MAZZILLI, MARTINS E MARUCCI, 1997).

A educação nutricional desde infância tem um papel de grande importância na construção de hábitos alimentares saudáveis (BOOG, 1999), porém quando tratamos de pessoas que já não seguem padrões nutricionais regulares ou que já se expuseram ao risco e sofrem esse ônus, temos de repensar a questão da reeducação alimentar ou nutricional. Porém, a alimentação adequada nem sempre deve ser considerada como a ingesta de nutrientes balanceada, tampouco a digestão e boa absorção pelo nosso organismo, para além disso, encontramos nos alimentos significados sociais e psicológicos, muito mais que apenas sua simples necessidade fisiológica (SANTOS, 2008).

Apesar da iniciativa pública, ainda não há uma divisão clara entre as medidas adotadas de forma específica e convencional, acaba então por existir um quadro situacional bipolar, utilizado no sentido de dar mais organicidade ao sistema (BRASIL, 2003).

No primeiro pólo temos as políticas nutricionais voltadas para o quadro de morbimortalidade, onde há o predomínio do binômio desnutrição/infecção, que afeta principalmente crianças pobres. Já no segundo pólo, que o de nosso maior interesse, há a predominância do grupo de sobrepeso e obesidade, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e algumas neoplasias, os hospedeiros neste caso são adultos e idosos, porém muitos destes problemas tem um início bem definido na infância (BRASIL, 2003).

As medidas nutricionais são as principais alternativas para os tratamentos não-farmacológicos da HAS e do diabetes (BRASIL, 2006c).  Portando temos de ter o conhecimento de que a alimentação influencia tanto no surgimento, como no controle destas afecções.

A obesidade constitui-se como um dos principais fatores para a HAS e diabetes. Estima-se que aproximadamente 20 a 30% das hipertensões e 80% dos diabetes justificam-se pelo excesso de peso, pois o acúmulo de gordura no abdome (independente do valor do índice de massa corpórea - IMC) aumenta a pressão arterial e acentua a resistência à insulina (BRASIL, 2006a; BRASIL 2006b).  

Portanto, além da prática regular de exercícios físicos dentro de suas possibilidades é aconselhada a redução para no máximo 1 vez/dia da ingesta de alimentos que contenham gordura saturada, trans, glúten e colesterol (manteigas, óleos, margarinas, biscoitos), carboidratos sob forma de pães e massas devem ser ingeridos em baixas quantidades, incentivando o consumo de cereais (arroz, feijão, aveia) e o alto consumo de frutas, verduras e legumes diversificando as cores e as quantidades (BRASIL, 2006a).

A ingesta de sal (sódio) deve ser reduzida a mais ou menos 100g/dia. Além de tirar o saleiro da mesa, podendo dar a preferência a temperos naturais como limão, ervas, alho, cebola, cebolinha, cheiro-verde, ao invés de produtos industrializados – temperos prontos, sopas, lingüiças, salsichas, conservas, enlatados, salgados de pacote (BRASIL, 2006a).

Alimentos que contém sacarose podem produzir oscilações glicêmicas, portanto seu consumo diário é limitado em 20 a 30 gramas diários e de forma controlada a substituir outros carboidratos. Portando a ingesta de bolos e doces devem ser minimizados (BRASIL, 2006b). O uso moderado de adoçantes pouco calóricos (sacarina, aspartame, açúcares demerares) pode ser aconselhado dentro dos padrões econômicos do paciente a substituir o consumo de açúcar refinado, mas em pouca quantidade (BRASIL, 2006b).

Como recomendações gerais; durante a preparação de assados e gralhados adotar formas saudáveis de preparo, evitando frituras e uso abusivo de óleo e gorduras de origem animal; reduzir a ingesta de cafeína tomando café pouco concentrado, evitando chocolates; refrigerantes também devem ser evitados; ingesta de cálcio pelo consumo de vegetais de folha verde-escuras e produtos lácteos (BRASIL, 2006a).

Associado a todos os demais fatores ainda temos o alto consumo de bebidas alcoólicas e tabaco devem ser desaconselhados. As bebidas alcoólicas possuem pouco ou nenhum nutriente, além da presença do etanol que possui 7 quilocalorias a cada grama. O álcool ainda exaure vitamina B e C, podendo gerar doenças carenciais ou agravar potencialmente as patologias existentes, interfere ainda na reabsorção (potencializando ou inibindo) de fármacos usados concomitantemente ano tratamento das HAS e diabetes (BRASIL, 2006c).

Já o tabaco é um potente agravante para as cardiopatias. Dentre as várias substâncias que constituem o cigarro estão a nicotina e o monóxido de carbono, que enquanto a primeira produz efeito vasoconstrictor e estimula a liberação de catecolaminas que aumentam a freqüência cardíaca e a pressão arterial; o segundo liga-se à hemoglobina formando o complexo carboxi-hemoglobina e impedindo assim a oxigenação deficiente dos tecidos (LEITE, FIGUEIREDO E ERDMANN, 2007; PRADO, RAMOS E VALLE, 2005; KUMAR, ABBAS E FAUSTO, 2005).

É importante que todas estas iniciativas não sejam dotadas de um tom de imposição e sim proposição através de dinâmicas educativas, buscando a valorização do conhecimento do profissional e, apesar das orientações gerais, a assistência deve ser feita de forma individualizada, buscando integração entre as condições socioeconômicas do paciente e suas limitações em seu processo de doença.

Assim, devemos partir sempre do pressuposto que nenhum tratamento será eficaz se a própria pessoa tratada não pode colaborar e concordar com o mesmo. A relação de confiança deve sobressair-se perante as dificuldades sugerir a mudança no estilo de vida do outro, porém, temos de verificar primeiro de que as orientações propostas são palpáveis à sua realidade como brasileiro.

 

 
REFERÊNCIAS

  

BOOG, M. C. F. Educação nutricional em serviços públicos de saúde. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15(Sup. 2):139-147, 1999.

BRASIL, Ministério da saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Hipertensão arterial sistêmica para o Sistema Único de Saúde. Cadernos de Atenção Básica, 15. Brasília: Ministério da Saúde, 2006a.

______________________. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes Mellitus. Cadernos de Atenção Básica, 16. Brasília: Ministério da Saúde, 2006b.

______________________. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política nacional de alimentação e nutrição. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

______________________. Abordagem nutricional em diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde, 2000.

 

______________________. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia alimentar para a população brasileira : promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2006c.

CERVATO, A. M.; MAZZILLI, R. N.; MARTINS, I. S.; MARUCCI, M. F. Dieta habitual e fatores de risco para doenças cardiovasculares. Rev. Saúde Pública, 31(3) : 227-35, 1997.

KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; FAUSTO, N. Robins and Cotran. Patologia – Bases Patológicas das doenças. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

LEITE, J. L.; FIGUEIREDO, N. M. A.; ERDMANN, A. L. Guia prático em cardiopatias: enfermagem em cirurgia cardíaca. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2007.

PERES, D. S.; FRANCO, L. J.; SANTOS, M. A. Comportamento alimentar em mulheres portadoras de diabetes tipo 2. Rev Saúde Pública 40(2):310-7, 2006.

PRADO, F.; RAMOS, J.; VALLE, J. R. Atualização terapêutica 2005: manual prático de diagnóstico e tratamento. 22ª ed. São Paulo: Artes Médicas, 2005.

SANTOS, I. G. Nutrição: Uma contribuição para a qualidade de vida in OHARA, E. C; SAITO, R. X. S. Saúde da família: considerações teóricas e aplicabilidade. São Paulo: Martinari, 2008.


Comentários

Bárbara Oliveira
Bárbara Oliveira 19 de Abril de 2010 às 21:24

ERRATA: Gente, mil desculpas.
Andei relendo o artigo e descobri que cometi um erro ao colocar que:

"...A ingesta de sal (sódio) deve ser reduzida a mais ou menos 100g/dia."

A ingesta deve ser balanceada, de maneira que o máximo de sal nas refeições não ultrapasse 8 a 10 g/dia. Como fazer esse controle?
Uma boa solução é ensinar a utilizar a tampinha de caneta (esferográfica) comum para fazer a medição da quantidade completa de sal a ser distribuída em uma refeição, como o almoço.

Obrigada pelos acessos e desculpem a falta.

Fabio da Silva
Fabio da Silva 31 de Janeiro de 2011 às 23:24

É sempre bom a gente se informar um pouco mais. Parabéns pela iniciativa, moça Bárbara...

Cida Lima
Cida Lima 30 de Agosto de 2011 às 18:29

Parabéns Bárbara! Você sempre foi uma ótima aluna, então sua competência não me surpreende. è bom divulgar este espaço, para que outros estudantes publiquem aqui seus trabalhos academicos. Beijos linda e sucesso!

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Publicado em 07 de Janeiro de 2010

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