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EDIFÍCIO PALMARES: Sequelas da sua interdição

É público e notório que o Edifício sede do Ministério da Saúde de Alagoas foi interditado judicialmente por problemas de segurança. Também não é novidade os aparentes esforços dos gestores, na busca por um prédio condizente com as necessidades da instituição e assim fazernos retornar felizes às nossas sagradas rotinas de trabalho. A grande novidade se aflora quando se observa a diversificidade com que as personagens administram os seus momentos de infortúnios. É nessa hora que se identifica, com relativa facilidade, os que procuram desesperadamente um culpado, como se isso fosse capaz de lhe proporcionar paz e tranquilidade de consciência; os que se deleitam com o momento, como se fosse presenteado por um período extraordinário de férias; e, por ultimo, os que não se satisfazem com o ócio e buscam, de uma maneira ou de outra, uma forma de dar continuidade ao seu ofício.

É neste contexto que levantamos algumas curiosidades, senão vejamos: falava-se, com relativo peso de voz, que o colega que proferiu denúncia anônima ao Ministério Público seria o culpado pelo desassossego que estamos submetidos; que tal denunciante não imaginou que terceirizados perderiam os seus empregos; que jamais retornaríamos a um local tão aprazível para se trabalhar; que para muita gente, o tal prédio representava uma vida inteira de trabalho, e que até o ponto eletrônico terá que ser implantado. Todavia, o que o orador talvez não tenha imaginado é que suas palavras poderiam provocar excitação e ira no coração de alguns apaixonados pelo Edifício Palmares, a ponto de aparecer quem apontasse publicamente a pessoa que poderia ser o denunciante, provocando a este, constrangimento e risco de execração pública.

Todavia, o mais curioso de tudo isso é que, segundo informação de um dos inflamados oradores, um servidor assumiu ser o responsável pela denúncia e, por não se tratar de uma pessoa tão indefesa quanto pareciam os primeiros suspeitos, todos os oradores quedaram-se silentes. Nunca mais se ouviu falar em culpados e, a partir desse momento, cessaram as manifestações públicas. Alguns oradores sumiram do mapa e a busca por um local de trabalho começou a surtir efeitos significativos.
Foi no contexto das acusações que outras vozes se levantaram tentando atenuar os estragos emocionais que os discursos inflamados poderiam provocar, salientando não acreditar em desemprego e defendendo o anônimo denunciante como digno de honra, pois graças a ele se despertou a atenção das autoridades locais para os riscos que estávamos submetidos; que o que provocou o fechamento do prédio foi a sua real condição de segurança, constatadas pelos peritos judicialmente designados.

Diante da maneira com que cada um costuma administrar os seus momentos de crises e, considerando o sentimento de revolta de alguns apaixonados pelo Edifício Palmares, alguns traumas são previsíveis na temporada que há de vir. Verdadeiros amigos tornar-se-ão mais amigos ainda, pois as amizades se fortalecem na adversidade, e os amigos só de palavras, possivelmente tornar-se-ão adversários declarados como sequelas da crise. Vale salientar, contudo, que os servidores públicos não necessitam de amizades pessoais para dignificarem as suas instituições, apenas do cumprimento do dever legal e observância das normas que se adequam. Quanto às amizades constituídas no âmbito da instituição, sempre serão bem vindas no futebol, churrascos de fim de semana etc. mas não se esperam que elas se tornem instrumentos de barganhas, nem mesmo em benefício da repartição. Principalmente quando o beneficiador é externo, pois, neste caso, sempre se presumirá que, de alguma forma, a instituição poderá ser usada como instrumento de recompensa.


Edson de Carvalho Silva



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Edson de Carvalho Silva
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Publicado em 07 de Julho de 2012

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