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DesSAUDADES


 

É difícil escrever des-saudades.

É difícil escrever sobre as coisas que passaram.

E mais ainda quando essas coisas ainda passam pela janela da lembrança como se fossem amanhã.

O que se escreve é sempre para alguém.

Nem sempre esse alguém saberá disso.

Nem sempre saberei o que escrever.

Nem sempre escreverei.

Algumas palavras me sairão perdidas de vento.

Outras palavras me farão chorar.

Umas só me farão.

Existirão as palavras que nem farão.

Só sei que para escrever devo está sonhando.

Se sonhando estarei bem acordado.

Se não acordar melhor morrer enfrentando a morte estando vivo.

Tenho que sofrer para escrever de chuva.

Terei que chover de sol nos dias de primavera.

Sentar na calçada no verão.

A noite. Não terei. Se tiver. Não terei nada.

Além des-saudades.

Saudades de quem nem mais estará.

Um dia esteve.

Não mais verei. Verei de mar. Verei de sorriso.

Verei.

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Zé de Quinô
Escrito por:
Zé de Quinô
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Publicado em 25 de Julho de 2014

Atualizado em 25 de Julho de 2014

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