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A FEIRA DA PONTE

         Era uma vez...uma menina que,assim como todas as outras garotas da vizinhança

aguardava com ansiedade os dias diferentes e divertidos da feira da ponte.Feira tradicional

que acontece meio as comemorações da semana santa.Nela tinha de tudo. Era uma 'feIra-festa'.

As donas de casa compravam os alimentos característicos da época:  peixes ,sururus, maçunins

siris, cocos,o bredo,camarões,etc.Todos os anos era um "déjà vu" crescente .Alegria e prazer num

espírito religioso.A feira ocupava o centro da cidade partindo do seu começo, a ponte sobre o

Rio São Miguel.Dava gosto de ver.Feirantes e mercadorias diversificadas: roupas,calçados,objetos

para casa,utensílios para cozinha,brinquedos de madeira(artesanal),discos e músicas e muitas outras

novidades da hora. A noite era outro momento especial. Agora,para comprar por um 'precinho'

as novidades do momento. Afinal uma feira igual aquela só uma vez por ano.Tinha que aproveitar!

Apreciar,fazer um lanchezinho.Assistir as atividades próprias da 'semana' que não podia faltar: teatro,

folclore, paixão de Cristo e enfim...Vendedores apregoavam seus produtos e leitores de cordel, suas

estórias fascinantes. Na igreja, a missa com destaque especial, a morte de cristo. Naquela feira tudo

tinha um novo sabor.Era São Miguel fazendo história. Entre sorrisos,conversas,flertes,brincadeiras e

esperanças o povo festejava a vida.

         Mas,havia algo muitíssimo especial para nós. A feira da ponte significava um montão de panelinhas

de barros para brincar de casinha.Panelinhas de barros da feira de ponte eram muitos especiais.

Eu e as meninas éramos comadres. Festejávamos nossa semana santa no fundo do quintal,no terraço

ou sob as sombras das mangueiras.Tinha fogo de lenha e tudo.Lembrando isso agora sinto as mesmas

sensações daqueles mometos.O cheirinho do bredo fervendo na panelinha de barro ao fogo. Aquele

almoço prometia. Que maravilha!Era um espetáculo viver!

        Passaram-se os anos. As comadres cresceram. As panelinhas e seu mundo sofreram transformações.

As vidas felizes separaram-se.O tempo incubiu-se de seus destinos.Viver suas escolhas,sonhos e esperanças

resultando em histórias alegres ou tristes. A sociedade evoluio para tantas coisas...Ao ponto de hoje não

vermos mais a ingênua beleza das brincadeiras de casinhas. A modernidade afetou os interesses de todos...

Os dirigentes do povo,que embora filhos da terra,alteraram os objetivos pela corrida para a liderança municipal.

A família despercebeu seu papel principal, ocupando-se demais aos interesses materialistas. A ética,a moral e a religiosidade inseridas na fé genuina perderam-se de vista. Não há mais tempo para se gastar com essas coisas!...

Tais valores essencias para a edificação da sociedade perderam-se na corrente do tempo .E nós, as amigas

comadres... Algumas até nem existem mais. Resta uma saudosa melancolia. Uma saudade...de um mundo

que se perdeu...

      E, o que dizer da nossa feira da ponte? Há ainda um resquício dela,lá na praça de eventos para não

atrapalhar o comércio lojista da cidade. Ainda acontece,talvez em virtude dos esforços de alguns que persistem

em mantê-la.O que é louvavel - em nome da tradição.Quem chega se instala e manda. Afinal, o que importam

mesmo são os lucros,os impostos. E a ponte ficou solitária...Perdeu o encanto. A essência da tradição. Há!

Que saudade desta palavra - tradição...

       A magia morreu.

       O encanto se perdeu.

       O sonho se esvaneceu.

       Tornou-se comum...

       Assim como eu...

                           ELENA

 

 

 

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m.elena.costa
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Publicado em 31 de Outubro de 2014

Atualizado em 13 de Fevereiro de 2015

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Categoria Crônicas


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