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Sangue de barata

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Algo impressionante ocorreu mais cedo, confesso que há tempos não me deparava com uma situação tão desagradável, explico nos próximos cortes (não continue se a sua sensibilidade for maior do que a sua curiosidade). Tudo caminhava para ser outro dia incomum: calcei meu tênis desgastado da Adidas, um dos três shorts que possuo e uma camisa regata comprada na Renner em 2020, conectei meu fone da Philips que custou 10 reais ao meu smartphone 4G defasado, então saí pelas ruas de Pilar com o objetivo de realizar alguns minutos de exercício físico, a contragosto, é verdade. Iniciei a minha via crucis ouvindo um pouco de música gospel, depois fui para a cumbia colombiana, sim, sou cristão e sou eclético. Em dado momento presenciei uma sequência de cenas terríveis, primeiro vi um cão SRD, famoso vira-lata, saboreando sangue de galinha cozido que estava espalhado pelo chão, lamentável, antigamente havia mais respeito entre os animais, definitivamente estamos na Nova Era. Aliás, durante boa parte da minha infância comi muito sangue cozido de galinha, eram outros tempos, vegetarianismo e televisão eram "coisa de gente rica", para nós, mortais inúteis, sobrava o sangue da galinha e de vez em quando o pé, também cozido. Continuei me exercitando, olhei para o lado e observei mais sangue, dessa vez misturado a água do rego, e agora sangue de porco, digo por que vi e ouvi as pessoas e os porcos, ele escorria e seguia o seu percurso, tão natural que foi impossível distinguir água, sangue e lodo, quanto desperdício! Um pouco adiante, mais sangue, dessa vez pingando desde uma embalagem vazia que estava disposta sobre uma mureta, qual seria o conteúdo daquela caixa? galinha, porco, boi ou cão? Algum ser vivo esteve ali, vivo ou morto, tudo é percepção, não é verdade? Que experiência fantástica, em tão pouco tempo, tanto sangue e tanta história para contar, o ser humano é capaz de tantas coisas incríveis, e parece que o vermelho é a sua cor favorita. Fiquei admirado, agradeci a oportunidade dada pelo destino e fui caminhando, mas o que estaria por vir mudaria o meu dia, para pior. Já perto do meu destino olhei para baixo e vi o cadáver de uma barata macho, é óbvio que procurei pelo sangue, tudo aquilo só poderia ser um sinal, talvez eu estivesse sendo designado pelo universo para ser o mentor de uma campanha do tipo "salvem as baratas", contudo não encontrei o sangue, fiquei desolado, nas três primeiras ocasiões havia sangue, mas não havia corpos, nessa, havia um corpo, mas não havia sangue, tive que continuar sem aquele "sangue de barata ", triste fim.

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Lucas Costa ESCRITO POR Lucas Costa Escritor
Pilar - AL

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